18 de setembro de 2016

A Reforma Psiquiátrica

Seminário apresentado pelos alunos Daniel Costa Araújo, Mário César Soares, Priscila Tavares Vitoriano e Rafael Dias Gonçalves, do terceiro período do Curso de Graduação em Medicina da UFPB

Apresentação de Slides

2 de setembro de 2016

História da Medicina no Século XX

Apresentação elaborada por alunas do Módulo de MHB3 no semestre 2016.1- Erika Miranda Vasconcelos, Hiago Dantas Medeiros, Maria Beatriz Sarmento de Oliveira Abrantes, Mirely Gomes Gadelha de Oliveira, Valeska Carvalho Dantas de França 

Apresentação de Slides

22 de agosto de 2016

Primeira Anamnese: Ótimo Começo II

Primeira anamnese realizada por Matheus Souza, aluno do quarto período do curso de Medicina da UFPB no Módulo de Semiologia Médica

IDENTIFICAÇÃO
        Homem, 36 anos, masculino, branco, em união estável, agricultor, natural de... e procedente de..., usuário apenas do Sistema Único de Saúde.

          QUEIXA PRINCIPAL
Tossindo muito há nove dias.

          HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL
Paciente refere tosse crônica produtiva com expectoração espessa, purulenta, fétida e sem sangue há cerca de 10 anos, que se iniciou sem motivo aparente e tem tido curso recorrente com intervalos de melhora indefinidos. Esta tosse vinha acompanhada de dispneia com "chieira", cujo som parecia com o "choro de rato novo", cefaleia, dor torácica em aperto e de intensidade 6 (1 a 10) em ambos hemitórax e que não irradia, além de febre súbita e de curta duração. Há dois meses, o paciente foi medicado para tuberculose, e ele declarou tomar uma dose de quatro comprimidos ao dia às 7 horas da manhã, porém não soube especificar os nomes dos medicamentos. No entanto, ele relata não ter obtido melhora. Há nove dias houve agravamento repentino, levando-o ao internamento, que se estende há sete dias no Hospital Universitário.
O paciente declara que a tosse surge e piora com o esforço físico e com decúbito lateral, seja esquerdo ou direito. Ocorre melhora parcial da tosse quando se deita em decúbito dorsal e quando toma Ambroxmel. Para a dor, o paciente tem se automedicado com dipirona, paracetamol e Buscopan durante momentos de crise, relatando melhora parcial. O paciente não soube referir as doses.
Realizou hemograma, exame da creatinina e ureia, teste de VDRL, exame de urina e de fezes, exames de ferro e de função hepática, pesquisa de BAAR em exame de escarro e raios-X do tórax após a atual internação. Todos estes exames foram inalterados ou negativos, com exceção dos raios-X, que mostrou infiltrado parenquimatoso intersticial e alveolar, comprometendo os campos pulmonares inferiores, um pouco mais acentuado a direita, além de lesão cavitária no lobo superior esquerdo, sugerindo pneumopatia inflamatória infecciosa específica (tuberculose) [mostrou laudo].
O paciente afirma que a tosse apresenta melhora, mas precisou se afastar de seu trabalho e tem anorexia intensa, relatando, então, perda de 26 kg no último ano, astenia e fraqueza nas pernas.


INTERROGATÓRIO SISTEMÁTICO
Sintomas gerais: refere perda de 26 kg em 1 ano, febre, calafrios, astenia, sudorese e anorexia.
Pele e fâneros: refere sensibilidade à exposição solar. Mas nega prurido, lesão cutânea, alopecia, alterações da pele, anormalidades nos pelos e na aparência ungueal.
Cabeça e pescoço: dor de cabeça temporofrontal durante crise de tosse, cervicalgia, nega movimento limitado do pescoço, pulsações anormais e tumorações cervicais.
Olhos: nega alterações oculares, incluindo: dor ocular, alteração na acuidade visual, diplopia, fotofobia, lacrimejamento, secreção conjuntival, prurido, inchaço, ardência, hiperemia ocular, escotomas visuais, visão turva, sensação de olho seco, sensação de corpo estranho, alucinações visuais, nistagmo, fotopsias.
Ouvidos: nega otalgia, otorreia, otorragia, transtorno na acuidade auditiva, zumbido, uso de aparelho auditivo, exposição a ruídos ambientais excessivos, má higiene.
Nariz e seios da face:  refere dor na região nasomaxilar, rinorreia aquosa e rinolalia. Mas nega prurido nasal, espirros, obstrução nasal, alterações de olfato, cacosmia, parosmia, epistaxe e gota pós-nasal.
Cavidade oral: refere odontalgia recorrente. Mas nega sialose, halitose, dor na glândula salivar, glossalgia, dor na articulação temporomandibular, trismo, ulcerações ou sangramentos, xerostomia.
Garganta: refere pigarro e ronco. Mas nega dor de garganta, odinofagia, disfagia alta e alterações na voz.
 Mamas: nega mastalgia, nódulos, ginecomastia, secreção mamilar.
Respiratório: refere dor torácica em aperto em ambos hemitórax que não irradia relacionada a uma tosse produtiva de alta frequência e intensidade, chieira bilateral com sibilância durante dispneia, expectoração mucopurulenta verde e espessa, dispneia súbita ao esforço físico e ao deitar de lado, vômica, mas nega hemoptise.
Cardiovascular: refere dispneia de pequenos esforços, dispneia paroxística noturna. Mas nega dor cardiovascular, precordialgia, palpitação, síncope, cianose, edema, claudicação intermitente, veias varicosas e úlceras na perna.
Digestório: refere epigastralgia, pirose e eructação pós-alimentar, soluços isolados. Nega dor retroesternal, disfagia baixa e regurgitação. Nega dor abdominal, hérnias e tumorações, alterações do hábito intestinal e aspecto das fezes, náusea, êmese, hematêmese, dispepsia, icterícia, diarreia, esteatorreia, distensão abdominal, flatulência, melena, hematoquezia, tenesmo evacuatório, obstipação intestinal, sangramento anal e prurido anal.
Rins e vias urinárias: nega dor lombar, vesical ou perineal, estrangúria, incontinência, modificação do jato urinário, eliminação de cálculos durante a micção, gotejamento terminal, urina com mal cheiro, alterações de cor, aspecto, volume e ritmo urinário.
Genital: nega dor, lesão, nódulo testicular, priapismo, hemospermia, corrimento uretral, disfunção erétil, ejaculação precoce, ausência de ejaculação, anorgasmia, diminuição de libido, ausência de uso de preservativos e exames recentes de próstata ou PSA.
Sistema hematopoietico: nega palidez e hemorragias.
Endócrino: nega dor, nódulo, bócio, alterações morfológicas, aumento de peso, fácies anormais, acúmulo de gordura localizada,  hiperpigmentação.
Coluna, ossos articulações e extremidades: refere dor lombossacral, rigidez pós-repouso e crepitação articular no ombro esquerdo. Nega artralgias, dor em tendão ou bursa, deformidades ósseas, sinais inflamatórios e limitação de movimento.
Músculos: refere fraqueza muscular, dificuldade para andar ou subir escadas e espasmos musculares. Nega atrofia muscular e câimbras.
Sistema nervoso: refere tontura e leve tremor nas pernas ao esforço. Nega obnubilação, coma, vertigem, convulsão, epilepsia, ausências, amnésia, distúrbios de marcha, sono, motricidade, sensibilidade ou de qualquer função cerebral superior.
Psiquismo: nega distúrbios de consciência, níveis de atenção, orientação, pensamento memória comportamentais, alteração na vontade e humor, choro constante.

ANTECEDENTES PESSOAIS FISIOLÓGICOS
Condições de gestação e nascimento: a gestação foi acompanhada de pré-natal e não teve viroses, o parto foi transvaginal, eutócico e a termo, com assistência obstétrica. O paciente nasceu normal, e é o mais novo de 5 irmãos.
-Desenvolvimento neuropsicomotor: não referiu alterações ou anormalidades no desenvolvimento de sua dentição, nem no desenvolvimento de suas habilidades neuropsicomotoras.
Imunizações: o paciente não recorda suas imunizações da infância, mas refere ter feito muitas imunizações durante  sua vida, porém não soube especificar quais.
-Desenvolvimento sexual e reprodutivo: paciente relata início da puberdade aos 13 anos e primeira relação sexual aos 16 anos, é heterossexual e refere vida sexual ativa apenas com a parceira, com uso ocasional da camisinha.

     ANTECEDENTES PESSOAIS PATOLÓGICOS
Doenças da infância: paciente refere ter tido sarampo e caxumba e não soube referir as outras.
Doenças na vida adulta: o paciente nega histórico de hepatite, malária, tuberculose, hipertensão arterial, diabetes, asma, doenças sexualmente transmissíveis, cardiopatia, artrose, osteoporose, litíase renal, gota, acidente vascular encefálico e epilepsia.
Antecedentes alérgicos: o paciente nega qualquer tipo de alergia.
Antecedentes cirúrgicos: o paciente nega qualquer tipo de cirurgia.
Antecedentes traumáticos: o paciente nega qualquer tipo de traumatismo.
Hospitalizações anteriores: nega qualquer internação anterior.
Hemotransfusões: paciente nega qualquer tipo de transfusão.
- Drogas ilícitas, anabolizantes ou anfetaminas: paciente nega uso de qualquer dessas drogas.
Medicamento de uso contínuo: o paciente tem usado Buscopan, dipirona, paracetamol para alívio da dor e Ambroxmel para alívio dos sintomas relacionados à tosse. Ele afirma ter comprado sem recomendação médica.

     ANTECEDENTES FAMILIARES
Mãe: morreu devido a alguma cardiopatia aos 76 anos.
- Pai: morreu devido a acidente vascular encefálico aos 84 anos.
Irmão: morreu devido a alguma cardiopatia com 43 anos de idade.
Tia: uma de suas tias é hipertensa.
Cônjuge: 35 anos, saudável sem doenças aparentes.
-Outros antecedentes: família há casos de enxaqueca, hipertensão arterial,doenças arteriais coronarianas, acidente vascular encefálico, úlceras, colelitíase. Porém não há casos de diabetes, tuberculose, câncer, alergias e dislipidemias. Paciente refere não ter problemas do lar e afirma ter casos de alcoolismo na família.

      ANTECEDENTES SOCIAIS
Condições de habitação e higiene: mora em casa de tijolo em zona rural, com 3 quartos, com saneamento básico, esgoto e água encanada, trata a água que consome e costuma botar fogo no lixo.
Condições de alimentação: paciente relata rica dieta sem aparente insuficiência de carboidratos, proteínas, gorduras e vitaminas, que porém, tem sido reduzida ao longo do agravamento da doença. Refere ingerir cerca de uma ou mais garrafas de água por dia. Sua acompanhante declara se preocupar em moderar o sal em sua comida.
- Nível de instrução: primeiro grau incompleto.
História ocupacional: agricultor, trabalha no roçado, 8 horas por dia, sente-se sobrecarregado fisicamente ao fim do dia, mas não se sente pressionado ou estressado.
Religião: católico.
Fonte e renda familiar mensal: a fonte de renda vem do auxílio doença há 10 anos e do bolsa família, somando uma renda de 700 reais ao mês.
Relações interpessoais: paciente refere haver brigas na família em relação a herança. Declara que não tem muitos amigos, mas não se sente isolado nem sozinho.
Problemas psicossociais: o paciente refere que está feliz devido ao fato de não trabalhar e dedicar a vida ao lazer. Declara-se conformado pela morte do pai e do irmão. Tem boas expectativas sobre sua alta e melhora da doença.
Tabagismo: refere nunca ter fumado.
Consumo de álcool: refere tomar 1 garrafa por dia atualmente e ter bebido a primeira vez aos 12 anos de idade.
Hábitos relacionados a parasitoses: refere banho de rio, açude e lagoa quando lavava cavalos há muito tempo atrás e contato com cães. Nega ter tido contato com triatomíneo.
Atividade física: nega qualquer tipo de atividade física desde quando a tosse e dor torácica se agravaram.
Sono: costuma dormir 8 horas por dia e em dias de "fraqueza" costuma dormir o dia quase todo.
Entretenimento: o paciente refere que seu lazer consiste em beber.
Viagem para zonas endêmicas: só viajou para esta cidade por causa da busca de tratamento.


HIPÓTESES DIAGNÓSTICAS BASEADAS NA ANAMNESE
- Topográfica: Sistema respiratório
- Sindrômica: Síndrome respiratória - Infecciosa, cavitária, supurativa
- Etiológica: Tuberculose; abscesso pulmonar; pneumoconiose; bronquiectasia
- Secundários: Síndrome consumptiva


EXAMES COMPLEMENTARES - Raios-X do tórax em PA e broncoscopia.

- Diagnóstico definitivo: Aspergiloma pulmonar (colonização intrapulmonar pulmonar aspergilar)


O paciente assinou Termo de Consentimento Livre e Esclarecido permitindo a publicação de sua anamnese e exames.

18 de agosto de 2016

História da Aids

Estudantes do terceiro período do curso de Medicina da UFPB apresentando "A História da Aids" no módulo de História da Medicina e da Bioética (MHB3): Gabriela Carvalho, Júlia Bastos, Maria Ângela Franco e Nathalia Immisch

Apresentação dos Slides

4 de agosto de 2016

História da Medicina no Século XIX: Questões Propostas

Claude Bernard (1813-1878) rodeado por seus alunos durante uma de suas muitas experiências científicas no século XIX  

1-  A prática da sangria terapêutica começou na Antiguidade, mas continuou por toda a Europa durante a Idade Média e o Renascimento. Depois do século XVIII, esta terapêutica teve seu emprego reduzido de maneira drástica. Comente esta evolução histórica deste procedimento, hoje denominado flebotomia.

2- Explique a visão médica desenvolvida no século XIX com base na seguinte assertiva: “Grandes inovações da Medicine no século XIX foram a nosologia, a patologia localizada, o exame físico e a análise estatística”.
(Jewson ND. The disappearance of the sick-man from medical cosmology, 1770–1870. International Journal of Epidemiology 2009;38:622–633).

3- No século XIX, ocorreu a introdução à Patologia Moderna, em um período marcado pelo início da utilização da ferramenta mais representativa do patologista - o microscópio. Como se deu a origem e evolução desta ferramenta?

4- O desenvolvimento da utilização de materiais biológicos humanos para a investigação científica foi um processo lento. O estudo sistemático de órgãos e tecidos humanos começou realmente no século XIX. Explique.

5-  Como se deu o fato de que as necropsias se tornaram a “ciência de ponta” no século XIX?

6- “Viena é a meca da Medicina”. Esta declaração foi feita por Rudolph Virchow em 1855. Explane por que se deu a mudança do centro científico da Medicina de Paris para a Europa germânica durante o século IX.

7-  Claude Bernard foi um vigoroso paladino na necessidade da abordagem experimental rigorosa. Ele afirmou:  “[...] o laboratório é o templo da ciência da medicina”. Naquela época, que tipo de avanço científico e que tipo de reducionismo epistemológico passou a ocorrer em decorrência deste pensamento?

8- Por que um novo conceito de “clínica” levou a uma nova maneira de olhar para a doença no século XIX?

9- No prefácio de seu livro “O Nascimento da Clínica”, Foucault afirma que “A medicina moderna fixou sua própria data de nascimento em torno dos últimos anos do século XVIII” (Foucault M. O Nascimento da Clínica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1963, X). Comente.

10- Na prática médica, avaliam-se os sintomas/sinais e se conhecem os antecedentes da doença antes de se alcançar o diagnóstico. Situe este preceito entre os médicos franceses do século XIX (“Escola Francesa”).

11- Atualmente não se pode indicar um prognóstico sem antes obter um diagnóstico. Isso ocorria na medicina Hipocrática? Estabeleça um paralelo nesse sentido em relação ao método clínico renovado no século XIX.

12-  O exame médico hipocrático consistia em ouvir as queixas do doente, observar a temperatura através da imposição das mãos, ver o estado geral com atenção, palpar partes do corpo a palpar o pulso. Como passou a ser o método clínico após o chamado “nascimento da clínica” moderna?

13-   Leia o seguinte texto:
Em contraste com a Medicina da Alemanha no século XIX, a Medicina nos Estados Unidos ainda não tinha experimentado tal progresso. Na verdade, a educação médica nos EUA nesta época foi medíocre e incompleta. Muitos jovens norte-americanos foram estudar medicina em universidades alemãs. Entre eles, o canadense William Osler, graduado em 1872 em Montreal, que foi estudar nas melhores escolas médicas do seu tempo, aprendendo com Rudolf Virchow e Ludwig Traube. Quando voltou aos EUA, Osler declarou que sua intenção era construir uma escola de clínica médica de acordo com a tradição germânica, com o estudo detalhado de Anatomia Patológica e necropsias, além de laboratórios de análises clínicas ao lado das enfermarias. Mas a genialidade de Osler como um professor de clínica médica, foi principalmente salientar a importância da história e da observação do paciente, além de um humanismo apurado, com base em sua vasta cultura e conhecimento dos clássicos, o que ficou conhecido como “tradição osleriana”. Como figura inspiradora até os dias de hoje, William Osler ainda é rememorado não somente pelo seu exemplo de vida, mas pelas centenas de pensamentos que transmitiu durante a sua vida como professor, educador e humanista. Por isso, passou a ser chamado de "pai da medicina moderna". Talvez a maior contribuição de Osler à medicina foi insistir que os estudantes devem aprender com os pacientes. Uma de suas citações, em 1904, é: "escute o paciente e ele lhe dirá o diagnóstico".
--- Trace um paralelo entre esta “tradição osleriana” e a tradição médica germânica do século IX.

14-   A ausculta torácica é uma técnica diagnóstica muito antiga. Hipócrates já a recomendava. Em 1816, esta ausculta mudou radicalmente e se deu por acaso. Descreva esta invenção, que é considerada por muitos uma serendipidade.

15-   Como se deu historicamente o invento de aparelhos de exame médico como o termômetro, o esfigmomanômetro, o oftalmoscópio, o otoscópio e o martelo para exame de reflexos profundos?

16-  Que avanço científico importante do século XVIII foi o precedente histórico decisivo para as tentativas de medição da pressão arterial?

17-Descubra duas contribuições do médico francês Auguste Chomel historicamente atribuídas a outros médicos.

18-  O que são “epônimos” em Medicina?

19-  Como ocorreu a origem do laboratório clínico?

20- Elabore uma reflexão histórica a respeito da Medicina no século XIX,  considerando o desenvolvimento da medicina clínica (medicina interna).

3 de agosto de 2016

IX Prova Osce do Internato na Área de Clínica Médica/CCM/UFPB

DEVOLUTIVA
Prova na Modalidade Osce realizada em 30 de julho de 2016 para o Internato na Área Básica de Clínica Médica
Comissão do OSCE-CM / Departamento de Medicina Interna / Centro de Ciências Médicas / UFPB

ESTAÇÃO 1
Enunciado: Local do atendimento – Pronto Atendimento de Hospital Geral
Você é o clínico de plantão em um Pronto Atendimento. É chamado para avaliar paciente, masculino, 24 anos, casado, agricultor, recém trazido ao PA com quadro de dispneia há 1h50min. O paciente nega ser portador de doenças prévias ou uso de medicamentos. Ao exame físico encontra-se em EGR, taquipneico, lúcido, orientado, anictérico, acianótico. AR: MV+ AHT com roncos difusos, FR=26 irpm. ACV: BCNF sem sopros, FC=50bpm e PA=100/60mmHg. Exame do abdômen com dor discreta à palpação, flácido, sem organomegalias palpáveis e RHA+ e intensos. Cavidade oral sem lesões, mas com sialorreia importante. Pupilas mióticas e fotorreagentes. Sem outras alterações no exame físico.
INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1) Qual a hipótese diagnóstica mais provável e adequada para o caso?
(2) Escolha entre as opções de conduta, que vão da letra  A até a letra J,  quais seriam seus próximos 3 passos em ordem de prioridade. Escreva a letra correspondente a cada passo nos espaços abaixo e justifique verbalmente a escolha feita para o Passo 1.
 Passo 1: _________
Justificativa para o passo 1 - (resposta verbal)
 Passo 2: _________
 Passo 3:__________­­­­­

CHECKLIST

Comentários do Prof. Luiz Fábio:
A questão tinha como enunciado em caso clínico de um paciente de 24 anos, agricultor, que chega ao PA com 1h e 50mim de queixas altamente sugestivas de síndrome colinérgica (miose, dispneia com roncos, sialorréia, bradicardia). Ele negava ser portador de comorbidades ou usar medicamentos. Embora taquipneico, não havia outros sinais de insuficiência respiratória tais como cianose, fala entrecortada, rebaixamento do nível de consciência, tiragem intercostal, uso de musculatura acessória, etc. Sendo assim, embora o quadro clínico estivesse florido e o diagnóstico potencialmente grave, no momento do término do atendimento do paciente em questão, ele encontrava-se ESTÁVEL. A síndrome colinérgica é de diagnóstico eminentemente clínico-epidemiológico e, logo, a diagnóstico mais provável e adequado para o caso é de Intoxicação Exógena por inseticidas.
1)     Pediu-se para colocar a hipótese diagnóstica mais provável e adequada para o caso. Valia 2,5.
As respostas totalmente corretas aceitas foram: intoxicação exógena por inseticidas/intoxicação exógena por organofosforados ou carbamatos/ intoxicação exógena por agrotóxicos/intoxicação exógena com síndrome colinérgica/intoxicação exógena=síndrome anticolinesterásica. Resposta contendo apenas “intoxicação exógena” não recebeu pontuação completa atribuída a este item.
2)    Pediu-se para se escolherem três condutas dentre dez possíveis, e colocá-las em ordem de prioridade. Esta questão avaliava a capacidade do aluno de tomar decisões que são fundamentais num PA e, além disso, colocá-las em ordem de importância. Nem todas as decisões certas, são certas em qualquer momento.
Passo 1 – Vale 2,5
Passo 2- Vale 1,0
Passo 3- Vale 1,0
Das 10 condutas possíveis, a mais importante e prioritária para o caso é: PRESCREVER ATROPINA, que é o PASSO 1 correto. Após estabilização do doente (neste caso, o doente já estava estável), a prescrição da droga anticolinérgica é a conduta inicial mais importante a ser tomada. Deve ser prescrita sem restrições, EV. Não há dose máxima e o principal objetivo é deixar o paciente “seco”; ou seja, reduzir as secreções pulmonares. Embora o paciente do caso estivesse bradicárdico, a bradicardia era assintomática e leve e não era o principal motivo para atropinizar o paciente. Inclusive, mesmo em pacientes eucárdicos e até taquicárdicos a mesma deve ser prescrita na suspeita de intoxicação por inseticidas
Quem colocou carvão ativado, embora não seja a conduta mais prioritária, pontuou parcialmente o Passo 1.
Para o PASSO 2, a conduta mais adequada seria a prescrição de carvão ativado. Embora o caso não deixe claro a via de contaminação, estatisticamente a via oral é a mais comum. Portanto, a descontaminação por via oral com carvão ativado é indicada. O carvão ativado pode ter eficácia mesmo após a primeira hora. Já a lavagem gástrica é proscrita após 1 hora da exposição pela sua ineficácia e riscos. A única indicação de lavagem gástrica após 1 hora de exposição é quando se tem uma história de ingestão de múltiplos comprimidos/cápsulas e o procedimento é feito, não para fins de descontaminação, mas para tentar recuperar algum comprimido intacto e identificar. Como o aluno poderia escolher o carvão ativado como descontaminação, fazer lavagem gástrica estaria errado em qualquer dos passos. 
Para o PASSO 3, poderiam ser escolhidas uma das seguintes opções: Solicitar exames laboratoriais/solicitar exames radiológicos/notificar Vigilância Sanitária/prescrever pralidoxina. Todas seriam viáveis e corretas, preenchidos os passos anteriores, que são fundamentais. O diagnóstico de intoxicação exógena por inseticidas deve ser notificado. A confirmação diagnóstica é eminentemente clínica e baseada na resposta à atropinização. Embora a dosagem da atividade da enzima anticolinesterase nas hemácias possa ser solicitada e, quando baixa ou nula, confirma o diagnóstico, sua execução é demorada e, portanto, seus resultados não estão rapidamente disponíveis o que não o torna fundamental e nem prioritário. A pralidoxina é uma droga que regenera a anticolinesterase sérica e deve ser prescrita sempre que disponível. É mais eficaz nos casos de intoxicação por carbamatos, mas na ausência da certeza de se o paciente está intoxicado por organofosforados, carbamatos ou piretróides, sua prescrição é indicada.
Condutas que estão erradas em qualquer dos 3 PASSOS: Iniciar hemodiálise/ prescrever bicarbonato de sódio/ lavagem gástrica e ventilação mecânica não invasiva. Obviamente, esta última representa um recurso mandatório em casos de insuficiência respiratória. Apenas o fato de o paciente estar dispneico não configura o quadro de insuficiência respiratória. O paciente em discussão, embora taquipneico, não tinha nenhum outro critério de comprometimento da função pulmonar. Mesmo que ele estivesse hipoxêmico, um simples cateter de oxigênio poderia ser suficiente.
Por fim, o aluno tinha que justificar a escolha da conduta no passo 1. Este item valia 3,0. Ele é extremamente dependente de ter acertado o passo 1, mas também, de saber porque acertou. Nem todos os alunos escolheram atropina pelos seus efeitos anticolinérgicos e com objetivo de “secar” o paciente.

ESTAÇÃO 2
Enunciado: Local do atendimento - Ambulatório de clínica médica geral
O sr. João Neves, 81 anos, foi trazido pela filha para avaliação médica devido a mudanças em seu comportamento nos últimos 10 dias. Até então, ele mantinha independência no controle de sua rotina diária e de suas medicações. Ele é hipertenso e diabético há 15 anos e mantinha o controle das taxas com medicamentos orais. Também possuía uma disfunção renal leve, mas controlada com dieta. Devido à insônia crônica, passou a fazer uso ocasional de benzodiazepínicos para dormir. Nos últimos 10 dias, a filha notou uma modificação em seu comportamento, ele passou a ficar apático, desatento, não conseguia manter um diálogo coerente, se esquecendo das perguntas feitas ou respondendo várias vezes à mesma pergunta. Além disso, está cada vez mais sonolento e inapetente. O quadro está oscilante durante o dia, havendo períodos de maior lucidez.
Ao exame físico nota-se: paciente apático, desorientado alopsiquicamente, descorado+/4, desidratado+/4, afebril, taquipneico, PA=140/70 mmHg, FC=95bpm, FR=26 irpm. Ausculta cardíaca sem alterações e ausculta pulmonar com estertores bolhosos em bases. Abdome sem alterações.
INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS: Anote as respostas abaixo das seguintes questões: (1) Levante três hipóteses diagnósticas relacionadas ao quadro neuropsíquico; (2) Qual seria sua conduta inicial diante deste paciente?
     
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ESTAÇÃO 3
Enunciado: Local do atendimento - Ambulatório de clínica médica geral
Luiz Alfredo, de 18 anos de idade, masculino, solteiro, estudante universitário, foi atendido no pronto-socorro há 20 dias por intoxicação alcoólica aguda. Como sua mãe acha que ele está com problemas com o álcool, convenceu-o a vir à consulta para fazer uma triagem antes de procurar assistência especificamente voltada para o caso.
INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1)  Pesquise o padrão de consumo de bebida do paciente que está à sua frente e se este apresenta manifestações da síndrome de dependência do álcool. Não precisa anotar aqui: Pergunte diretamente ao paciente.
(2) Diante das respostas do paciente, ele parece ter risco de padrão de uso nocivo do álcool e síndrome de dependência? – Assinale abaixo
(    ) apresenta padrão de uso nocivo do álcool
(    ) apresenta síndrome de dependência do álcool
(   ) não apresenta padrão de uso nocivo do álcool nem síndrome de dependência
(  ) apresenta padrão de uso nocivo do álcool e síndrome de dependência

CHECKLIST
Questão 1: pontuação total = 6,0
Qual a quantidade e frequência de consumo de álcool?
Consome que tipo de bebida alcoólica?
Há quanto tempo consome bebidas alcoólicas?
Você já teve problemas relacionados ao uso de álcool?
Alguma vez sentiu que deveria diminuir a quantidade de bebida ou parar de beber?
As pessoas o aborrecem porque criticam seu modo de beber?
Você se sente culpado (chateado consigo mesmo) pela maneira como costuma beber?
Você costuma beber pela manhã para diminuir o nervosismo ou a ressaca?
Tem bebido sozinho?
Quantas vezes ficou bêbado no último mês?
Tem apresentado tremores nas mãos?
Tem apresentado sudorese, náuseas, vômitos, taquicardia, agitação, cefaleia, insônia, mal-estar ou fraqueza, alucinações, convulsões?
Alguma vez ficou ferido ou alguém ficou ferido por você ter bebido / Já houve algum acidente de carro?
Questão 1: pontuação total = 4,0
Apresenta padrão de uso nocivo do álcool

ESTAÇÃO 4
Enunciado: Uma mulher de 65 anos de idade foi encaminhada da atenção básica onde foi à consulta ambulatorial com queixa de intensa fadiga geral. Ela tem se sentido cada vez mais cansada no último ano, mas há 3 semanas piorou e queixa-se de dores de cabeça. Tem sentido seus pés com pouca sensibilidade e certa dificuldade para andar. Dois meses antes da internação, ela sente ardor na língua e dor ao engolir alimentos - levando-a a diminuição da ingestão e a uma perda de 5 kg, juntamente com o aumento da sensação de fraqueza geral.
Nega antecedentes patológicos pessoais. É professora aposentada e vive sozinha. Sua vizinha a trouxe a este hospital para onde foi referenciada e foi indicada a internação para investigação diagnóstica. Até dois anos atrás, ela era ativa, andando diariamente por uma hora. Nega tabagismo e bebe um cálice de vinho nos fins de semana. Nega uso de medicação regular. A mãe e uma de suas duas irmãs tiveram problemas de tireoide. Ao exame: Mucosas descoradas (+++/4), T=37,8°C, p=96 bpm, regular, PA=142/72 mmHg, FR=17 irpm. Exames cardiovascular, respiratório e de abdome normais; nota-se instabilidade postural e fraqueza simétrica distal afetando braços e pernas, onde se observa também redução da sensibilidade em “luva” e “bota” respectivamente.
Veja fotos a seguir: fácies e inspeção da língua da paciente.

INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS: Responda às questões a seguir, anotando abaixo das mesmas.
(1) Apresente suas duas hipóteses diagnósticas principais.
(2) Quais exames você solicitaria para esclarecer suas hipóteses?

  CHECKLIST
Comentários da Profa. Rilva
Esta paciente tem anemia associada a sinais neurológicos por deficiência de vitamina B12 e ácido fólico. Os sintomas cardinais da anemia megaloblástica fazem parte de uma síndrome "neuro-anêmica", que é uma combinação de ataxia postural com síndrome piramidal e palidez acentuada. Há uma história familiar de doença da tireoide na anamnese da paciente, mas a anemia megaloblástica pode se associar a antecedentes patológicos pessoais ou familiares de doença auto-imune, incluindo a tireoidite de Hashimoto. Ou seja, a anemia megaloblástica poderia estar associada a antecedentes familiares de doença tireoidiana. Mesmo assim, a segunda hipótese diagnóstica seria de hipotireoidismo, em virtude da intensa palidez e da facies da pacienteContudo, a facies não é caracteristicamente mixedematosa, a qual apresentaria tipicamente intumescimento difuso (infiltração mixedematosa) do rosto, que se apresenta arredondado, com infiltração palpebral, e a pele do paciente é fria, espessada e áspera, o que não foi descrito na paciente em questão. A febre também poderia estar associada a uma enteropatia inflamatória como uma ileíte regional por Doença de Crohn, que também poderia cursar com anemia megaloblástica.
O hipotireoidismo pode causar a anemia e a macroglossia, mas não explicaria as manifestações neurológicas. A anemia crônicaque causa fadiga, e a palidez cutaneomucosa, presentes na paciente, poderiam ser decorrentes de anemia megaloblástica, mas também de hipotireoidismo. Mas os sintomas gerais da anemia megaloblástica incluem perda de peso e anorexia, manifestações que não ocorrem no hipotireoidismo. Cefaleia e tonturas, além de febre baixa, podem ser explicados pela anemia megaloblástica. A febre baixa pode ocorrer em casos de anemia grave ou moderada. 
Nesta paciente, grave deficiência de vitamina B12 também provocou neuropatia periférica e degeneração subaguda dos tratos posteriores piramidais posteriores da medula espinal, provocando uma perda de sensibilidade e uma maior dificuldade para andar. A neuropatia periférica e o envolvimento do trato piramidal produzem as alterações do equilíbrio postural. A deficiência de vitamina B12 é mais frequentemente de causa gástrica (anemia perniciosa devido a gastrite autoimune atrófica e por gastrectomia total). O supercrescimento bacteriano no intestino delgado destrói o fator intrínseco. Pode-se pensar também, neste caso, na possibilidade de Doença de Crohn.
A glossite – chamada glossite de Hunter –  ardência, dor e aparência vermelha da língua, “língua careca” (perda de papilas, lisa), e a queilite, presentes na paciente, são características da anemia megaloblástica, que resulta da deficiência de vitamina B12 e/ou ácido fólico. Chama-se a atenção para o fato de que uma das manifestações clássicas da anemia perniciosa é essa perda de papilas da língua. A associação com outras carências vitamínicas causa também queilite angular. Na deficiência de vitamina B12, contudo, observam-se as alterações neurológicas típicas, que não ocorrem na carência isolada de ácido fólico. 
Observam-se anemia, macrocitose, normocromia e anisocitose no hemograma e no esfregaço do sangue periférico. Na avaliação microscópica do esfregaço sanguíneo também são observados macrócitos ovalados e eritrócitos fragmentados (esquisócitos). A contagem de reticulócitos é baixa e o Índice Reticulocitário Corrigido geralmente está aumentado, indicando anemia hipoproliferativa. No leucograma, podem ser observadas neutropenia e presença de neutrófilos hipersegmentados. A contagem de plaquetas pode estar normal ou diminuída. A vitamina B12 sérica e os níveis de folato devem ser medidos, assim como a pesquisa de anticorpos circulantes contra células parietais gástricas.  A pesquisa de anticorpos contra o fator intrínseco é feita especificamente para a anemia perniciosa, mas os anticorpos só estão presentes em cerca de 50% dos casos. Através de um teste radioativo para verificar a absorção de vitamina B12 (teste de Schilling) distingue-se a deficiência de absorção como causa da deficiência. A forma mais direta e simples, atualmente, de identificar a anemia perniciosa é a realização de endoscopia gástrica alta com biópsia nos pacientes em que se revela uma anemia megaloblástica com baixos níveis de vitamina B12. Se houver sinais de gastrite atrófica, o diagnóstico provável é de anemia perniciosa, e a execução de outros exames somente é necessária se houver dúvidas ou se o quadro for atípico. Muitas vezes existe um leve aumento da bilirrubina sérica dando ao paciente uma aparência "amarelo-limão". 

      Diagnóstico diferencial
        Hipotireoidismo
        Anemia sideroblástica
       Síndromes mielodisplásicas

COMISSÃO DO OSCE-CM
José Luiz Simões Maroja
Leina Yukari Etto
Luiz Fábio Botelho
Rilva Lopes de Sousa Muñoz

Monitores do OSCE-CM (Membros da Liga Paraibana de Clínica Médica - Laclimed)
Melissa Montenegro, Mirella Bezerra, Raiara Vieira (atuaram na organização da entrada dos alunos nas estações e cronometragem do tempo)
João Calvino (atuou como paciente simulado)