"ENSINE O ALUNO A OBSERVAR" (Sir William Osler)

8 de agosto de 2009

Síndrome da Cauda Equina

Por Joyce Freire Gonçalves de Melo
Estudante de Graduação em Medicina da UFPB (V Período); Monitora do Módulo de Semiologia Médica

A medula espinhal constitui a porção alongada do sistema nervoso central e vai até aproximadamente na altura da segunda e da terceira vértebras lombares (L1-L2), sendo, portanto, necessárias longas raízes neurais para inervar a região lombar e sacral a fim de que se mantenha a relação das raízes nervosas com seus respectivos forames intervertebrais. Assim, na porção terminal do canal vertebral encontram-se apenas meninges e raízes nervosas dos últimos nervos espinhais dispostas em torno do cone medular e filamento terminal, dando, pois, a aparência de um “rabo de cavalo”, por isso tal conjunto foi denominado de cauda equina.
Sabe-se que a cauda equina, por estar encerrada dentro do canal medular, é extremamente sensível a processos patológicos que reduzem a sua luz. O conjunto de sinais e sintomas desencadeados por tal estreitamento constitui a síndrome da cauda equina.
Várias causas de compressão das raízes nervosas terminais têm sido relatadas, entre as quais: lesões traumáticas, hérnia de disco, estenose do canal medular, tumores, condições inflamatórias, infecções, causas iatrogênicas.
As compressões da cauda equina podem ser assinaladas como completas e incompletas. Nas constrições completas, o quadro clínico é caracterizado por paralisia dos membros inferiores de caráter periférico - paralisia flácida associada à atrofia muscular acentuada; desaparecimento dos reflexos anal, aquileu e, por vezes, o plantar; dor lombar; distúrbios sensitivos que levam à anestesia em sela - que se relaciona, anatomicamente, à região perineal; alterações genitais e urinárias: impotência, prejuízo do desejo de urinar, retenção urinária ou incontinência por transbordamento. Nas compressões da cauda equina incompletas, os dados semiológicos são tanto mais ricos quanto mais alta for a constrição. As compressões baixas (plexo pudendo) caracterizam-se somente por dor, anestesia em sela e alterações esfincterianas. As constrições que ocorrem até o nível de L4 são definidas como médias e acrescentam comprometimento do território ciático ao quadro clínico descrito anteriormente, podendo o reflexo aquileu estar abolido. Já as compressões altas afetam adicionalmente o território lombar (nervo femoral e obturador), podendo, nesses casos, o reflexo patelar mostrar-se reduzido ou abolido. Atualmente, tem-se dado importância às causas iatrogênicas de compressão da cauda equina Tal etiologia está fortemente associada aos efeitos neurotóxicos dos anestésicos locais. Foram descritos, nos últimos anos, casos da síndrome de cauda eqüina desencadeados por administração de grandes volumes de anestésico local injetados erroneamente no espaço subaracnóide, já que deveriam ser administrados na região peridural. O desenvolvimento do processo patológico que desencadeia tal afecção relaciona-se ao depósito da droga ao redor das raízes sacrais, havendo contato prolongado com o tecido nervoso e gerando a possibilidade de ocorrer uma lesão neurológica. A consolidação da hipótese diagnóstica depende principalmente de uma anamnese cuidadosa e um exame físico buscando a descoberta de sinais que corroborem com a conjectura diagnóstica, como ausência de reflexos profundos, hiporreflexia, distensão da bexiga, perda do controle esfincteriano, diminuição do tônus dos membros inferiores. Os possíveis diagnósticos que concorrem com a síndrome da cauda equina são os referentes a distúrbios da medula espinhal distal (síndrome do cone medular), mielite transversa aguda e síndrome de Guillain-Barré. O tratamento desta patologia é baseado na descompressão cirúrgica que pode ter caráter de urgência na tentativa de restaurar ou preservar as funções motoras e/ou sensitivas, ou na radioterapia no caso de tumores metastáticos. Para concluir, é importante evidenciar que o conhecimento de tal síndrome pela classe médica, visto que, o diagnóstico precoce e o subsequente tratamento aumentam a probabilidade de que os efeitos deletérios da compressão sejam diminuídos ou restaurados.

Referências 
BRANDT, R. A.; WAJCHENBERG, M. Estenose do canal vertebral cervical e lombar. Einstein. 2008. 
CAVALCANTI, I. L.; CANTINHO, F. A. F.; ASSAD, A. Complicações neurológicas da anestesia peridural e subaracnóidea. Medicina Perioperatória. Rio de Janeiro: Sociedade de Anestesiologia do Estado do Rio de Janeiro, 2006. 
HENNEMANN, S. A.; SCHUMACHER, W. Hérnia de disco lombar: revisão de conceitos atuais. Revista Brasileira de Ortopedia, 2004. 
KASPER, D. L. et al. Harrison Medicina Interna, v.2. 17ª. Edição. Rio de Janeiro: McGrawHill, 2009.
ROWLAND, L. P. Merritt Tratado de Neurologia. 11ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. 
Crédito da imagem - a figura que ilustra esta postagem foi extraída de: http://catalog.nucleusinc.com

18 comentários:

Paulo Cesar disse...

Minha esposa vai ser operada semana que vem de um tumor na cauda equina L1, e foi muito util a explicação que encontrei neste site, visto que nao sou médico e era totalmente leigo no assunto.

Obrigado

Paulo Cesar da Rocha Chaves
pc.offshore@gmail.com

Rilva Sousa-Muñoz e Estudantes do GESME disse...

Sr. Paulo Cesar, esperamos que tudo transcorra bem com o tratamento de sua esposa. Agradecemos a confiança e a leitura do nosso texto.

Paulo Cesar disse...

Alo Pessoal, obrigado pelo apoio, a cirurgia para retirada do tumor da cauda equina da minha esposa foi realizada com sucesso. O problema foi após a cirurgia teve que voltar ao hospital para drenar o material que foi usado para sela a dura mater, pois houve um vazamento devido talvez ao esforço que ela teve feito quando teve alta. Aguardando retirada dos pontos.

Paulo Cesar disse...

Cirurgia para retirada do tumor,realizada com sucesso sem comprometimento de outros órgãos.

Rilva Sousa-Muñoz e Estudantes do GESME disse...

Ficamos contentes com as boas notícias. Agradecemos por enviá-las.
Abraços de todos do Gesme!

flavio madruga disse...

Vi comentário no Semioblog, minha esposa possui esse diagnóstico.
Não tendo nenhuma recomendação de procedimentos e cuidados com a coluna.
Peço indicar referência da clinica médica para consulta.
Bom Final e Ano Novo em 2012!!
Obrigado!! Abrs!!

flavio madruga disse...

Vi comentário no Semioblog, minha esposa possui esse diagnóstico.
Não tendo nenhuma recomendação procedimento ou cuidado na coluna.
Peço indicar possibilidade ou referência da clinica médica para consulta.
Bom Final e Ano Novo em 2012!!
Obrigado!! Abrs!!

Rilva Sousa-Muñoz et Estudantes do GESME disse...

Prezado Sr. Flávio Madruga, é preciso saber em que cidade/estado do país o senhor vive, para indicar um serviço de referência, após consultar colegas nossos da área.
Feliz Ano Novo para o senhor e sua família, em especial sua esposa, e que possa superar o problema de saúde que vivencia agora. Deus está conosco sempre e nunca nos desampara.
Abraços de todos do Gesme!

Magno disse...

Bom dia Rilva.

Sou Carlos Magno, Aracaju/SE, Passei por uma cirurgia a 2,5 anos, retirada tumor T12-L1 e tenho bexiga e intestino neurogênicos e anestesia em sela. Pode me indicar um serviço de refencia?
Abraços a todos do Gesme.
magnoaju@hotmail.com

Juliana Paolinelli disse...

Boa tarde!
Meu nome é Juliana,sou mineira de BH, tenho 33 anos e síndrome da cauda equina há 7 anos, proveniente de uma cirurgia de espondilolistese L4-L5-S1.
Tenho dor crônica, no intestino e bexiga, que são neurogênicos. Já usei todo tipo de medicação existente pra conter a dor. Usei bomba de infusão de morfina durante 4 anos, sem nenhuma melhora do quadro da dor. Uso maconha como medicamento para tratar a dor, já que foi a única droga usada capaz de reduzir e ate eliminar a dor abdominal intensa com contrações e espasmos terríveis. Como a maconha não é legalizada no Brasil, sofro preconceitos por fumar, já que, infelizmente as pessoas não são esclarecidas. Eu preciso da medicação Sativex, comercializada nos EUA, Canadá e na Europa. Mas não imagino como conseguir. É um direito meu e de qq outra pessoa, ter tratamento para a dor. Tenho, em média, 4 crises de dor por dia. Contrações horrendas no abdomen. Já não sei mais o que fazer. No momento faço sessões de acupuntura e tomo outros 3 medicamentos. A bomba de morfina foi retirada há pouco mais de 1 ano. Luta difícil demais, droga muito pesada. Deteriora a gente.
Se alguém puder me ajudar a encontrar a solução para esse caso, ou tiver interesse em estudar, estou a disposição.
Tenho 2 filhas e quero ter de novo, prazer em viver SEM DOR. Por favor, se alguém puder me ajudar, entre em contato comigo.
Abçs!
jupaolinelli@yahoo.com.br

Fazendo Arte - Chocolates Aretesanais disse...

Fiz uma cirurgia de Hernia de disco em Abril, e fui diagnosticada com esta síndrome estou sem saber o que fazer pois a cada dia que passa sinto minhas pernas perderem mais a força, meus dedos dos pés ja estão paralizados desde a cirurgia, a sensação de anestesia e formigamento continuamestou com a mobilidade reduzida, gostaria de saber se isso tem cura quero minha vida de volta, quero voltar a andar e ter minha independencia. Gostaria de trocar experiencias com pessoas que tem este mesmo problema que eu.Atenciosamente. Luciana lucianastuart@hotmail.com

Maiquel Costa disse...

Olá amigos, me achamo Maiquel Costa tenho 28 anos e a um ano tenho a sindrome da cauda equina proveniente depois de uma cirurgia de artrodese lombar, era muito saudavel antes da cirurgia, um atleta em potencial de varios esportes. Fui fazer a cirurgia devido a dores na lombar e nada mais, nunca tive neda que me impedisse de fazer tudo na vida, nada de problemas urinarios e formigamentos e anestesias, nada mesmo. Operei e fiquei assim com todos os sintomas possiveis da sindrome, incontinencia urinaria e fecal, anestesia em sela e fraqueza nos membros inferiores. Hoje depois de muito tratamento, fisioterapia e hidroterapia, ja tenho retenção urinaria e fecal bem controlada, faço uma forcinha mas vai tranquilo, ja voltei aos treinos na academia e a força nas pernas está 70% do total e a anestesia em sela está passando devagarinho creio que em um ou dois anos ja esteja bem melhor, pois tenho ereção total mas não tenho orgasmo e nem ejaculação por conta da falta de sensibilidade. O meu diagnostico médico é que estou me recuperando muito além do que qualquer caso na história da sindrome, pq como todos vcs sabem ela não melhora e a cura se baseia sim em uma adaptação de vida. Vou deixar meus contatos para que quem quiser possar entrar em contato para trocarmos experiencias e dicas de tratamento e para todos vcs terem a noção que com muita luta e determinação a gnt melhora essa vida dura que levamos. Meus contatos são FACEBOOK MAIQUEL COSTA e no MSN e E-MAIL MAIQUEL_COSTA@HOTMAIL.COM Abraços e boa sorte a todos

Maiquel Costa disse...

Olá pessoal.
Sou o Maiquel Costa portador da Síndrome da Cauda Equina desde 28/10/2011 resultante de uma cirurgia de artrodese lombar ao nível de L4-L5-S1. Antes deste procedimento não tinha nenhum dos sintomas, apenas tinha dores na lombar e as vezes tinha crises de ficar imóvel travado de tanta dor, porem nada mais que isto.Era um atleta com grande potencial em vários esportes. Após a cirurgia apresentei parestesia em sela, anestesia em membros inferiores, enfim falta de sensibilidade do quadril para baixo, incontinência urinaria e fecal.Sai do hospital de cadeira de rodas, passei a um andador de 4 apoios, depois para duas muletas,depois para uma muleta e hoje ando sem auxilio de nenhum apoio, porem ainda ando com dificuldade na marcha. Depois de dar inicio ao tratamento com os medicamentos, fisioterapia e hidroterapia as incontinência passou e deu lugar a retenção urinaria e fecal. Depois disso retornei a musculação onde o tratamento teve seu pico de resultados positivos, comecei a ter mais força nas pernas.Hoje em dia vivo quase que normalmente, vou a todos os lugares que quero e faço tudo que posso, apenas não consigo andar rápido, muito menos correr pela falta da sensibilidade e força em alguns dos músculos das pernas. Já passei por muitas situações constrangedoras e venho superando isso dia após dia. Para aqueles que quiserem entrar em contato para trocar idéias meus contatos são no FACEBOOK Maiquel Costa ou no E-MAIL e MSN MAIQUEL_COSTA@HOTMAIL.COM abraços. !!!!

Maiquel Costa disse...

Olá amigos, sou eu novamente, Maiquel Costa!
Venho contar a vcs que depois de 17 meses de pós lesão voltei a ter a função fisiológica ( urina e fezes ) normalmente, e o mais impressionante de todos, voltei a ter orgasmos, ejaculação tudo como antes, a cada dia que passa tudo fica melhor. Hoje em dia a unica coisa que ainda luta muito para recuperar é a marcha completa, pois ainda ando com dificuldade.
Deixo o meu contato de e-mail e MSN maiquel_costa@hotmail.com e no facebook maiquel.costa.3@facebook.com e o link do meu blog http://sindrome-da-cauda-equina.webnode.com/ caso alguém tenha intenção de entender melhor a situação.

Abraços Maiquel Costa

Maiquel Costa disse...

Olá amigos, sou eu novamente, Maiquel Costa!
Venho contar a vcs que depois de 17 meses de pós lesão voltei a ter a função fisiológica ( urina e fezes ) normalmente, e o mais impressionante de todos, voltei a ter orgasmos, ejaculação tudo como antes, a cada dia que passa tudo fica melhor. Hoje em dia a unica coisa que ainda luta muito para recuperar é a marcha completa, pois ainda ando com dificuldade.
Deixo o meu contato de e-mail e MSN maiquel_costa@hotmail.com e no facebook maiquel.costa.3@facebook.com e o link do meu blog http://sindrome-da-cauda-equina.webnode.com/ caso alguém tenha intenção de entender melhor a situação.

Abraços Maiquel Costa

Rilva Sousa-Muñoz e Estudantes do GESME disse...

Ficamos muito contentes com sua recuperação, Maiquel. Que você possa continuar com êxito sua reabilitação!
Abraços dos que fazem o Semioblog.

rita disse...

Gostaria da opinião para saber qual o melhor tratamento para o meu caso:
espondiloartrose discopatia degenerativa lombar destacando-se: abaulamento discal difuso de L2-L3 a L5-S1 associado a artrose interfacetária e hipertrofia do ligamento amarelo determinando estenose do canal vertebral e consequente compressão das raízes da cauda equina.
Leve escoliose lombar com convexidade à direita observand-se minima laterolistese ipsilateral de L3 sobre L4

Rilva Sousa-Muñoz e Estudantes do GESME disse...

Rita, agradecemos sua confiança em postar seu problema no nosso blog, mas não podemos indicar possibilidades terapêuticas. Aconselhamos que você procure um neurologista logo que possível.
Esperamos que encontre a solução para seu problema.