"ENSINE O ALUNO A OBSERVAR" (Sir William Osler)

17 de outubro de 2009

Teste do Monofilamento de Simmes-Weinstein

O teste do monofilamento de Semmes-Weinstein (estesiometria) é um método simples, fácil de utilizar e de boa reprodutibilidade. Através desse teste avalia-se a sensibilidade protetora plantar através de um dispositivo eficiente e barato para identificar o paciente em risco para ulceração no pé.

O monofilamento parece constituir um sinal de alerta para os pacientes com diabetes mellitus em relação à perda do mecanismo de proteção e defesa dos pés. O teste do monofilamento consiste na inspeção de dez pontos específicos nos pés com um filamento de nylon, visando determinar a presença ou ausência de sensibilidade tátil. A incapacidade de sentir a pressão necessária ao se curvar suavemente o monofilamento de 10 g, quando observado em quatro dos dez pontos do pé avaliados é compatível com neuropatia sensorial.
De acordo com Ferreira (1997) (Apud NEUMANN, 1999), a sensibilidade do teste do monofilamento usando-se o ponto de corte de erro em dois pontos é de 85,7 e a especificidade, de 77,5 (NEUMANN, 1999). Segundo Pedrosa (2007), considerando estudos de vários autores, a sensibilidade do uso de quatro pontos plantares é de 90% e a sensibilidade, de 80%. As figuras acima mostram os locais onde deve ser aplicado o monofilamento e o modo de aplicação, de acordo com o Consenso Internacional sobre Pé Diabético (2001). Abaixo, descreve-se a técnica de exame.
Descrição da técnica, de acordo com Consenso Internacional sobre Pé Diabético (2001) - O exame da sensibilidade deve ser realizado em um ambiente calmo e relaxante; - Inicialmente, aplica-se o monofilamento na mão, ou no cotovelo, ou na fronte do paciente, de modo que ele saiba o que será testado; - O paciente não deve ver quando o examinador aplica o filamento;
- Os três locais de teste em ambos os pés são indicados na figura abaixo;
- Aplica-se o monofilamento perpendicularmente à superfície da pele, com força suficiente apenas para encurvar o monofilamento quando apoiado na área de interesse; - A duração total do procedimento, do contato com a pele e da remoção do monofilamento, não deve exceder dois segundos; - Quando há lesões instaladas, aplica-se o monofilamento em torno do perímetro (úlcera, calo, cicatriz, ou necrose), nunca sobre tais lesões; - É preciso evitar o deslizar do monofilamento sobre a pele ou fazer toques repetitivos sobre a área de teste; - Pressiona-se o monofilamento sobre a pele e pergunta-se ao paciente se ele sente a pressão aplicada (sim /não) e onde a pressão está sendo aplicada (pé direito/pé esquerdo); - Repete-se a aplicação duas vezes no mesmo local, alternando-se depois com, pelo menos, uma aplicação simulada, na qual o monofilamento não é aplicado; - Faz-se três perguntas por local de aplicação; - A sensação protetora está presente se o paciente responder corretamente a duas das três aplicações em cada local; - A sensação é considerada ausente diante de duas das três respostas incorretas; - A incapacidade de sentir o filamento de 10 g em quatro ou mais pontos, entre os dez pontos testados (nove pontos na planta e um no dorso) demonstra, de maneira simples, a existência neuropatia sensitiva; - É importante encorajar o paciente durante o teste.
Cuidados com o monofilamento - Deve-se conservar o filamento protegido, cuidando para não quebrá-lo ou amassá-lo.
- O monofilamento deve ser limpo sempre após o término de cada teste, utilizando solução de hipoclorito de sódio a 10%. - Usa-se o mesmo monofilamento no máximo 10 (dez) vezes para fazer os testes de proteção plantar, e após este número deixar em repouso por no mínimo de 24 horas. - Nunca utilizar os monofilamentos quando se observar qualquer alteração no nylon, o que poderá provocar respostas inadequadas nos testes efetuados.

Referências GRUPO DE TRABALHO INTERNACIONAL SOBRE PÉ DIABÉTICO. Consenso Internacional sobre Pé Diabético. Direção: Hermelinda Cordeiro Pedrosa; tradução: Ana Claudia de Andrade, Hermelinda Cordeiro Pedrosa. Brasília: Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, 2001. NEUMAN, C. R. Polineuropatia do diabetes mellitus: Caracterização clínica e padronização de etstes autonômicos e somáticos. Tese. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Curso de Pós-Graduação em Ciências Médicas, 1999. PEDROSA, H. Consenso Internacional sobre Pé Diabético 2007-2008. Disponível em: www.ciede.com.br/paginas/consenso.pdf. Acesso em: 19 out 2009.