Neste espaço virtual (virtus = potência), apresentamos sobretudo temas de Semiologia Médica, considerando Ensino e Pesquisa. Esperamos que este espaço possa constituir mais um cenário de aprendizagem de iniciação ao exame clínico. As postagens deste blog resultam de estudos realizados com nossos alunos no Grupo de Estudos em Semiologia Médica (GESME).
Esclarecemos que os conceitos, recomendações e referências publicados nesta página são de nossa inteira responsabilidade e podem não corresponder completamente ao pensamento coletivo do Departamento / Centro / Universidade que integramos. Profa. Rilva Lopes de Sousa-Muñoz - Editora do Semioblog
- Disciplina de Semiologia Médica
- Grupo de Estudos em Semiologia Médica (GESME)
- Ambulatório Continuum de Egressos de Internação
Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
IBSN do Semioblog
SEMIOLOGIA MÉDICA
SEMIOLOGIA vem do grego σημειολογία (semeîon, sinal + lógos, tratado). Em Medicina, Semiologia é o estudo dos sinais e sintomas das doenças.
Nós, alunos e professores, vamos elaborando no cotidiano de nossa vida acadêmica, textos, reflexões, seminários, resenhas, exposições, discussões em grupo e palestras, e que geralmente permanecem no computador. Este é um saber não-compartilhado, que não serve. Encontramos no Semioblog uma forma de compartilhar essa produção do nosso grupo de estudos, registrando relatos, revisões, crônicas, opiniões, notícias e imagens em Medicina e Semiologia Médica.
CAROS VISITANTES: Ao encontrarem equívocos neste blog, pedimos que deixem comentários com a correção sugerida.
Agradecemos as contribuições. Somos todos aprendizes.
"Aprender é descobrir aquilo que você já sabe. Fazer é demonstrar que você o sabe. Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você. Somos todos aprendizes, fazedores, professores. Você ensina melhor o que mais precisa aprender." (RICHARD BACH, In: Ilusões: As Aventuras de Um Messias Indeciso")
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Por B. Fernandes (2009)
Os signos ambíguos da fala humana
"Não é fácil interpretar os signos da fala humana. As palavras estão carregadas de sentido, mas como abrir as portas e janelas que levam ao coração das palavras? Como descobrir os sentidos que estas palavras fazem para as pessoas? [FRANCO, S. G. Hermenêutica e Psicanálise na Obra de Paul Ricoeur. São Paulo: Loyola, 1995, p. 12.]
Diagnóstico é Semiologia (GALENO)
A mais antiga referência à Semiologia Médica parece ter sido feita no Império Romano; entendia-se a Semiologia como o estudo diagnóstico dos sinais das doenças. O médico Galeno de Pérgamo (139-199 a.D.) - figura acima - referia-se ao diagnóstico como sendo parte da semiótica médica.
Twitter "História da Medicina e da Bioética" - UFPB
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Monitores de Semiologia Médica 2009-2010
Fernando, Guilherme, Bruno, Profa. Rilva, Jailson e Joyce
Monitores de Semiologia Médica 2008
Gabriel, Guilherme, Mara, Prof. Maroja, Profa. Rilva, Bruno, Ana Paula, Daniel, Camila e João Guilherme
Monitores de Semiologia 2006 e 2007
Daniel Macedo, Daniel Ronconi, Mariana, Profa. Rilva, Prof. Maroja, Pâmela, Luana e Bruna
Ars Medica
Saber cuidar de um ser humano que sofre é uma arte que combina compaixão, conhecimento técnico, sensibilidade, paciência para ouvir, atenção aos detalhes e, a cada momento, sagacidade, bom senso e autêntica intenção de querer ajudar o próximo.
[GONZALEZ, R. F.; BRANCO, R. A relação com o paciente: teoria, ensino e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003]
Psicossomática Hoje
"A concepção de Psicossomática, hoje, não se configura como ramo da Psiquiatria. É uma atitude de Medicina Integral, que concebe o ser humano - tanto na saúde quanto na doença - como um ser biopsicossocial" [RODRIGUES; GASPARINI, 1992. In: MELLO FILHO, J. et al. Psicossomática Hoje. Porto Alegre: Art Med, 1992]
Twitter "TCC": Trabalho de Conclusão de Curso / Metodologia Científica
O Bom Médico é...
"O bom médico é aquele que refaz, mesmo sem o saber, a trajetória da medicina através dos tempos. Como Hipócrates (460-377 a.C.), sabe que a vida é curta mas a arte é longa; sabe qua a ocasião é fugidia, a experiência, enganadora, o julgamento, difícil." [...] "O bom médico sabe, como o francês Ambroise Parré (1510-1590) que curar é mais do que intervir; curar como diz a origem latina da palavra, significa cuidar." [...]
"O bom médico sabe, como o inglês Thomas Sydenham (1624-1689), que a enfermidade tem certa lógica, segue aquilo que se pode chamar de uma história natural, que aos poucos, e seguindo um trajeto mais ou menos previsível, transporta a pessoa para outra realidade, a realidade da doença" [...] "O bom médico sabe, como o alemão Rudolf Virchow (1821-1902), que a doença deve ser procurada não apenas no que é visível, mas também ali onde os olhos não enxergam". [...] "O bom médico, como o judeu austríaco Sigmund Freud (1856-1939), sabe que é preciso ter coragem de defender as próprias convicções, como aquelas sobre a existência do inconsciente, mesmo quando elas se chocam com os preconceitos e as idéias preestabelecidas. O bom médico sabe, como o brasileiro Oswaldo Cruz (1872-1917), que é preciso enfrentar a doença na população, mesmo trabalhando na complicada fronteira entre medicina e política. [...] "O bom médico talvez não seja tão famoso como Hipócrates ou Parré, quanto Sydenham ou Virchow, quanto Freud ou Oswaldo Cruz; mas para seu paciente, para a comunidade da qual cuida, ele é a própria medicina, ciência e arte."
[In: SCLIAR, M. O olhar médico: Crônicas de Medicina e Saúde. São Paulo: Agora, 2005]
O semiológico poema "Pneumotórax"
Nos versos de "Pneumotórax", Manuel Bandeira faz uma de suas líricas referências à tuberculose. Com seu espírito irônico, ele transpõe para os versos o veredicto de seu médico no Sanatório suíço de Clavadel, que anunciou a impossibilidade de indicar o pneumotórax, único tratamento na época (1913) para os casos mais graves da doença:
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos, A vida inteira que poderia ter sido e não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico. -- Diga trinta e três. -- Trinta e três... trinta e três... trinta e três... -- Respire. -- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. -- Então doutor, não é possível tentar o pneumotórax? -- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Ambulatório Continuum do HULW - Egressos de Internação da Propedêutica
A linguagem da doença tem cunho social
"A linguagem da doença não é, em primeiro lugar, linguagem em relação ao corpo, mas à sociedade e às relações sociais. Seja qual for a dinâmica efetiva do 'ficar doente', no plano das representações, o indivíduo julga seu estado, não apenas por manifestações intrínsecas, mas a partir de seus efeitos: ele busca no médico a legitimidade da definição de sua situação." [MINAYO, M. C. S. Um desafio sociológico para a formação médica: Apresentações sociais de saúde-doença. R Bras Educ Med, 15 (1): 25-32, 1991.]
"Jamais considere seus estudos como uma obrigação, mas como uma oportunidade invejável para aprender a conhecer a influência libertadora da beleza do espírito, para seu próprio prazer pessoal e para proveito da comunidade à qual seu futuro trabalho pertencer." (ALBERT EINSTEIN)
Michelangelo e a representação do cérebro
“A criação de Adão”, de Michelangelo, foi associada à imagem do cérebro em um corte sagital. [Meshberger FL. An interpretation of Michelangelo's Creation of Adam based on neuroanatomy. JAMA, 264: 1837-41, 1990.]
Sinal de Babinski, em Boticelli
Sandro Botticelli (1445-1510) representou o Sinal de Babinski em sua "Madona e a criança com os anjos" (1468); neste quadro, a Madonna parece estimular o reflexo acariciando com o dedo a planta do pé da criança.
"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever" (Clarice Lispector)
Representação da Tuberculose por Boticelli
Detalhe de "A Primavera", de Sandro Boticelli: "A modelo coberta por flores, Simonetta Vespucci, célebre tísica, tem a seu lado uma ninfa em vestes diáfanas verte que flores negras pela boca, em uma hemoptise floral. (SOARES, P. P. A dama branca e suas faces: a representação iconográfica da tuberculose. Hist. cienc. saude-Manguinhos. 1 (1): 127-134, 1994, p. 127)
Formação Humanística do Médico
A formação humanística do médico equivale ao conhecimento de doutrinas da Filosofia, da Psicologia e da Antropologia, ou seja, de teorias a respeito da natureza humana. Mas também implica, principalmente, na capacidade de enxergar e de entender o paciente-pessoa, o paciente com seus valores.
Segundo Pessotti (1996), ter uma formação humanística “(...) não se trata de ser humanitário, embora isso também seja desejável: trata-se de ser, em alguma medida, um humanista, um conhecedor, mesmo principiante, do que constitui a essência da chamada natureza humana.”
[PESSOTTI, I. A formação humanística do médico. Medicina, Ribeirão Preto, 29: 440-448, 1996, p. 446]
Aula de Charcot no Hospital Salpêtrière
Os avanços na compreensão das doenças psicossomáticas começou com as pesquisas sobre histeria de médicos como Jean-Martin Charcot, ilustrado aqui enquanto fazia uma palestra sobre a doença no Hospital Salpêtrière, em Paris, França. O quadro mostra Charcot, seus alunos e uma mulher em uma "crise histérica" ( "Blanche" Marie Wittmann), sendo apoiada por um dos alunos de Charcot, Joseph Babinski. (Quadro de André Brouillet, 1887).
Auto-retrato de Goya com hemiplegia após acidente vascular encefálico
O grande artista espanhol Francisco Goya sofreu um acidente vascular encefálico aos 73 anos (1819). Ele pintou em 1820 "Autorretrato y Dr. Arrieta" em homenagem ao médico que o assistiu. Observa-se a movimentação da mão esquerda e a mão direita caída e flácida. [SMITH, C. M. Evolutionary Neurobiology and Art. In: ROSE. C. The Neurobiology of Painting. San Diego: Academic Press Elsevier, 2006].
"Retirantes" (1944) da série retirantes - Cândido Portinari
A formação médica na maioria das escolas é dissociada das preocupações sociais. Questões fundamentais, como condições de habitação, alimentação, educação, emprego, meio-ambiente, cultura, tradição, não são valorizadas.
VIVA LAËNNEC!
O francês René Laënnec (1781-1826) inventou o estetoscópio em 1816. Médico e músico, Laënnec, inspirando-se em uma flauta, transformou uma folha de papel em um cilindro, para obter melhor resultado na ausculta, e criou, assim, o primeiro estetoscópio da história da medicina. Não obstante o extraordinário desenvolvimento da Medicina nas últimas décadas, o instrumento inventado por Laënnec, em versões modificadas, continua com sua indispensável aplicação no dia-a-dia da prática médica. Imagem acima: Laennec ausculta o tórax do paciente no Hospital Necker, em Paris. Em sua mão esquerda ele mantém o tubo, que foi o início da forma de estetoscópio. Pintura de Théobald Chartran (1849 - 1907), pintor acadêmico clássico da França.
Sir William Osler
"O segredo do sucesso é a constância. Sem a constância não há amor, amizade, nem virtude". Assim escreveu o maior clínico da história moderna: Sir Wiliam Osler.
Galeno: "O melhor médico é também filósofo"
“...Cheguei à conclusão de que ela sofre de uma melancolia ou com algo que ela não quer confessar" é uma frase atribuída a Cláudio Galeno, célebre médico grego que atuou em Roma (129-200 d.C.), que se baseou na Medicina Hipocrática para criar um sistema de patologia e terapêutica de grande complexidade e coerência interna. Galeno contribuiu para a visão de "equilíbrio" da época, não só dos chamados "humores", mas também do que ele chamou de "humores não-naturais", entre os quais se incluíam "paixões ou perturbações da alma." De acordo com a sua doutrina, que foi incorporada em livros médicos medievais, era importante que o médico observasse os pacientes a manterem as suas emoções em equilíbrio, para o bem dos seus corpos e de dos seus estados mentais. A influência das emoções fortes sobre a saúde física e a doença, tornou-se, assim, um eixo central do médico crença que cresceu gradualmente mais forte no período medieval. O galenismo preconizava que num mesmo sistema vital, estavam os processos orgânicos e as atividades afetivas e cognitivas do homem, e havia alguma forma de equilíbrio e convivência entre a alma, a mente e as funções fisiológicas. Ele defendia uma doutrina médica que entendia o corpo como instrumento de percepção e de ação, controlado pelos desejos, valores e emoções. A arte médica permanece, com Galeno, indissociada de uma visão mais ampla do Homem. Seria dele a afirmativa de que o melhor médico é também filósofo. [Imagem: Galen, "Opera ex Sexta Juntarum Editione", Venice, 1586 ]
"A pedra da loucura"
Esta imagem reproduz a obra "A extração da pedra da loucura" (1485), do pintor italiano Hieronymus Bosch (1450-1516). Na Idade Média, supunha-se que a loucura era causada por uma pedra no cérebro, e que sua extração seria “o caminho da cura”.
Dostoiévski e a "Personalidade Epileptóide"
O gênio de Dostoievski não se limitou à criação do romance psicológico, ele escreveu sobre sua epilepsia e sobre quadros psicopatológicos relacionados, antecipando o conceito de "personalidade epileptóide".
"O grito" (1893), Edvard Munch
A pintura expressionista "O Grito" (1893), de Edvard Munch, retrata um homem gritando com as mãos no rosto; para alguns, o homem retratado sofre de um tipo especial de cefaléia chamado 'cefaléia em salvas'; para outros, ele sofreria da síndrome do pânico.
Philippe Pinel: Há sempre um resto de razão no mais alienado dos alienados
Revolução intelectual na Paris de 1795: o médico e psiquiatra Philippe Pinel ordena que fossem retiradas as correntes dos pacientes do hospital Salpêtrière, até então um depósito de loucos. Fez uma profunda reflexão sobre a alienação mental. Em 1801 publicou o "Tratado médico-filosófico sobre a alienação ou a mania", no qual descreveu uma nova especialidade médica que viria a se chamar Psiquiatria (1847). Esta frase é de Pinel: "(...) há sempre um resto de razão no mais alienado dos alienados."
"Frankenstein": Uma crítica à ambição científica
Na obra "Frankenstein", da inglesa Mary Shelley, faz-se uma crítica à ambição científica. Escrita em 1818, representa o gênero gótico de romances que marcou a segunda metade do século XVIII na Inglaterra. Mary Shelley condena o cientista ambicioso e critica a Ciência que deflagrou a sede de Victor Frankestein. Nesta obra, há uma crítica à fé cega na suposta neutralidade da Ciência. [LA ROCQUE, L.; TEIXEIRA, L. Frankenstein, de Mary Shelley, e Drácula, de Bram Stoker: gênero e ciência na literatura. Hist. cienc. saude-Manguinhos (1): 11-34, 2001.]
A Gripe Espanhola
A pandemia de gripe espanhola, que começou em 1918, pegou de surpresa todas as nações. Em 1918-19, um vírus conhecido como influenza matou entre 20 e 40 mlhões de pessoas em todo o mundo, inclusive o presidente brasileiro Rodrigues Alves. Algumas estatísticas falam em até 1 bilhão de pessoas infectadas - metade da população mundial na época. A gripe espanhola matou mais gente que qualquer outra epidemia na história, superando até mesmo a peste negra da idade média. Matou até mais que a Primeira Guerra Mundial, e embora provavelmente originada na Ásia foi apelidada de espanhola por ter sido a imprensa deste país, que não estava envolvido na guerra, a primeira a relatar a extensão da doença. Embora a maior parte das pessoas com o vírus se recuperava em uma semana, alguns morriam em 24 horas de infecção. Foto: Equipe médica pronta para atender a próxima vítima da gripe espanhola (Canadá, 1919).
Pedagogia e Pesquisa
"O que diferencia o contato pedagógico acadêmico é exatamente a intermediação do conhecimento. Onde não se constrói conhecimento, não há contato pedagógico. O professor que não constrói conhecimento em sua aula não tem como atingir aquele contato pedagógico construtivo, vivificado pela pesquisa." (Pedro Demo) DEMO, P. Pesquisa e construção do conhecimento: metodologia científica no caminho de Habermas. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.
Santa Catarina de Siena: Uma santa anoréxica?
A anorexia nervosa é um transtorno do comportamento alimentar que se desenvolve principalmente em mulheres jovens. Apesar de considerada por muitos uma doença contemporânea, há evidências de que a anorexia atual seria um contínuo de um tipo de comportamento inalterado na história do Ocidente. Mesmo dentro de um contexto sociocultural diferente, principalmente na Europa, a doença sempre existiu: restrição sistemática do alimento com risco grave da saúde e da própria vida. É possível estabelecer um paralelo entre as anoréxicas atuais e as santas jejuadoras medievais, como Santa Catarina de Siena, que só ingeria diariamente um molho feito de ervas, recorrendo aos vômitos para eliminar todo alimento. [WEINBERG, C. et al. Santa Rosa de Lima: uma santa anoréxica na América Latina? Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul 27 (1): 51-56, 2005]
Virginia Woolf: Transtorno Bipolar ou Esquizofrenia Paranóide?
Virginia Woolf foi uma das mais importantes escritoras britânicas. Ela sofreu de doença mental desde a adolescência, apresentando episódios depressivos associados ocasionalmente a sintomas psicóticos.
Augusto dos Anjos: cientificismo naturalista
O poeta paraibano Augusto dos Anjos apresentou uma experiência única na literatura universal: a união do Simbolismo com o cientificismo naturalista. Os poemas de sua única obra, "Eu" (1912) chocam pela agressividade do vocabulário e pela visão dramaticamente angustiante da matéria e da vida. Integram a linguagem termos até então considerados anti-poéticos, como escarro, vermes, germes... Embora tenha morrido de pneumonia, tornou-se conhecida a história de que Augusto dos Anjos morreu de tuberculose, talvez porque esta doença seja bastante mencionada em seus poemas. As imagens da obra poética de Augusto dos Anjos se caracterizam pela teratologia exacerbada, por imagens de dor, horror e morte. O uso da racionalidade, e assim da ciência, seria uma forma de superar a angústia da materialidade e dos sentimentos.
Betinho e seu Rasputin: O médico era o seu remédio
“Naquela época a hemofilia não era conhecida, nem havia tratamento possível, mas ele era o meu Rasputin. Chegava em casa, sentava numa cadeira no meu quarto, enrolava um cigarro de palha e começava a contar histórias. Eu ficava deslumbrado e esquecia a dor que infernizava minha vida, principalmente as minhas noites. Dr. Ari me curava temporariamente, mas curava, me dava alívio por meio do hipnotismo de sua fala. Além disso fazia umas fórmulas a base de salicilato que aliviavam a minha dor, menos pelo salicilato, que era contra–indicado para hemorragias, e mais pelo fato de vir dele”. (SOUZA, 1996, p. 63). [SOUZA, H. A lista de Alice. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p.63] Este trecho foi escrito por Herbert José de Sousa, ou simplesmente Betinho, conhecido sociólogo e ativista político, idealizador da campanha "Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida". Hemofílico, Betinho adquiriu AIDS em uma das suas transfusões de sangue. Sua luta pelo direito dos portadores do HIV à vida não foi apenas pessoal, atingindo uma dimensão mais ampla: o da defesa da dignidade humana. Betinho nunca abandonou a militância política e estava sempre presente em cada evento que levantasse a bandeira do humanismo.
O Transtorno de Personalidade Histriônica
O transtorno de personalidade histriônica caracteriza-se pela tendência a ser dramático, buscar as atenções para si mesmo, ser um eterno "carente afetivo", pelo comportamento sedutor e manipulador, exibicionista, fútil, exigente e lábil (que muda facilmente de atitude e de emoções). Busca frequentemente elogios, aprovações e reafirmações dos outros em relação ao que faz ou pensa.
História e Medicina. Medicina e História.
"Médicos e historiadores têm em comum o fato de, procurando compreender e interpretar totalidades complexas, trabalhar com fragmentos e indícios. Os primeiros identificam como sintomas os indícios que lhes permitem formular diagnósticos e hipóteses científicas, enquanto os segundos convencionaram denominar documentos os fragmentos a partir dos quais constroem suas versões sobre o vivido." (CARLO GINZBURG)
"O Doente Imaginário", de Molière
Molière foi um gênio do teatro francês e universal. Suas peças retratam a paradoxal condição do ser humano em suas paixões contraditórias - às vezes suas comédias são mais trágicas do que cômicas. Em "O doente imaginário", escrita em 1673 (sua última peça), o autor satiriza a medicina de sua época, mostrando simulações de sua própria vida como doente. Argan, o protagonista, é terrivelmente hipocondríaco. A peça foi encenada pelo próprio Moliére. Durante a quarta apresentação, Molière, que sofria de tuberculose, teve uma crise diante do público, que acreditou ser aquilo mais uma cena da peça e o aplaudiu fervorosamente, enquanto o ator e dramaturgo apresentava uma hemotise maciça, morrendo pouco depois. A figura acima mostra uma pintura de Pierre Wafflarn ("Moliére mourant": a morte de Moliére)
Santo Antônio e as vítimas do ergotismo da Idade Média
Santo Antônio é considerado o protetor das vítimas do ergotismo (intoxicação com um alcalóide de esporos de fungos presentes no centeio mofado). Foi principalmente a Ordem de Santo Antonio que tratou estes pacientes. O ergotismo era uma doença comum na Idade Média. Quem comia pão contaminado contraía o chamado “Fogo de Santo Antônio” (espasmos, alucinações, dispnéia e vasoconstrição periférica, às vezes até com gangrena).
William Osler, o "Pai da Medicina Moderna"
“Em meu túmulo, coloquem como epitáfio que ensinei a estudantes de Medicina nas enfermarias, pois este foi, sem dúvida, o trabalho mais útil e importante que desenvolvi” (WILLIAM OSLER).
Santa Ida e Santa Gertrude, protetoras dos portadores de Hanseníase (Século VII)
Esta é um xilogravura de Hans Burgkmair (1473-1531), um pintor renascentista alemão que retratava cenas da vida dos santos, como esta imagem de Santa Iduberga, também conhecida como Santa Ida de Nivelles, que fundou uma abadia beneditina em Nivelles, Bélgica, no século VII. Tanto Santa Iduberga quanto sua filha, Santa Gertrude, eram conhecidas como protetoras das pessoas que sofriam de lepra. No século XVI, acreditava-se que havia uma relação entre a moralidade e a doença. O leproso era uma pessoa considerada impura para a sociedade.
"O sangue é um suco verdadeiramente notável" (In: "Fausto", de Johann Wolfgang von Goethe)
Considerado símbolo cultural da modernidade, “Fausto” é um poema de proporções épicas que relata a tragédia do Dr. Fausto, homem das ciências que, desiludido com o conhecimento de seu tempo, faz um pacto com o demônio Mefistófeles, que o enche com a energia satânica insufladora da paixão pela técnica e pelo progresso.
"Homem Vitruviano", de Leonardo Da Vinci
A famosa ilustração de Leonardo Da Vinci, “O Homem Vitruviano” (1490) demonstra seu forte interesse pela proporção e simetria, e é considerada até hoje um dos melhores estudos sobre anatomia humana da época. É um pentagrama humano, com o corpo de um homem dentro de um círculo, amplamente usado como um símbolo do desenho cósmico da estrutura humana.
Teatro e Medicina
Entre a Medicina e as artes cênicas existe, pelo menos, uma afinidade importante, que precisa ser levada em consideração: para fazer teatro, é preciso gostar muito de gente, assim como para ser médico.
Arte e Medicina: "Lição de Anatomia do Dr. Nicolaes Tulp (Rembrandt, 1632)
A obra de Rembrandt: “A lição de anatomia do Doutor Nicolaes Tulp”, de 1632, mostra-nos um cenário de iniciação à pesquisa da anatomia humana. Rembrandt expõe o corpo a partir de uma imagem alegórica. Essa obra retrata uma dissecação, verdadeiro acontecimento público na época.
A Visita ao Hospital
"A visita ao hospital", quadro do pintor espanhol Luis Jiménez Aranda, em 1897. Representa o período de aprendizagem do médico, através dos ensinamentos de seus mestres.
“... o pensamento médico atual vive o curioso paradoxo de considerar objetivo o que é, em essência, uma abstração - a doença -, enquanto relega ao espaço secundário da subjetividade aquilo que é especificamente humano no adoecer, o sofrimento dos pacientes”.[In: CAMARGO Jr, K. R. Em defesa da arte de curar. Ars Cvrandi, 32 (8): 3-7, 1999, p. 7.]
Medicina Hipocrática
"Se está presente o amor ao homem, está também presente o amor à arte." (HIPÓCRATES)
"Ciência e Caridade" (1897), de Pablo Picasso
O quadro mostra uma mulher gravemente enferma, acometida de tuberculose. O avanço da ciência é representado pela maneira ética, profissional, responsável e, sobretudo, carregada de afeto com que o médico presta o atendimento. A caridade religiosa e a filantropia são evidenciadas na presença da freira.
"Divulgo para melhor compreender o que faço" (MICHEL CROZON)
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