4 de dezembro de 2015

Estações do Osce em Clínica Médica: VII Edição

Alunos do Internato passando pela primeira estação da prova  tipo Osce de Clínica Médica - VII Edição - Internato do Curso de Medicina do Centro de Ciências Médicas (CCM), UFPB

A presente postagem apresenta as listas de checagem das estações da Avaliação Objetiva e Estruturada de Desempenho Clínico (Osce) de Clínica Médica, realizada em 28/11/15 para 43 estudantes do internato do curso de graduação em Medicina da UFPB que cumpriram, ou estavam cumprindo, o rodízio de Clínica Médica no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW).
A lista de checagem contém o instrumento de registro dos comportamentos observados e indicativos de domínio das habilidades avaliadas.
Aplicaram-se quatro estações, cujos enunciados e correspondentes listas de checagem estão demonstrados a seguir. Na primeira, avaliou-se a habilidade de comunicação e análise da queixa principal do paciente (simulado), além do raciocínio clínico hipotético-dedutivo; na segunda, avaliou-se a habilidade de solicitar um exame complementar do mesmo paciente, que não apresentou quadro de melhora, e interpretar o resultado; na terceira, avaliou-se também o raciocínio diagnóstico com base na apresentação escrita de um relato clínico (sem paciente simulado); e na quarta estação, foi avaliada a habilidade de comunicação do diagnóstico de câncer ao paciente (simulado). 

ESTAÇÃO 1

ENUNCIADO: Local do atendimento - Ambulatório de clínica médica geral
Paciente de 50 anos de idade, masculino, professor, com dor nas costas desde que levantou o peso de uma televisão da parte traseira de seu carro. Ele nunca teve dor nas costas antes e também se queixa de estar se sentindo sem energia e fatigado. Ele tem antecedente de hipertensão arterial e usa ramipril 5mg. Teve um carcinoma basocelular removido de seu rosto há seis meses.
INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1)    Que perguntas você gostaria de fazer ao paciente para esclarecer sua queixa? Faça-as, ele está à sua frente.
(2)  A partir do que ele respondeu, levante duas hipóteses diagnósticas. Anote aqui.
Lista de checagem
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ESTAÇÃO 2

ENUNCIADO: Local do atendimento – No mesmo ambulatório de clínica médica geral – 1 semana depois
O mesmo paciente de 50 anos de idade, visto na estação anterior, voltou à consulta porque você marcou seu retorno em uma semana para avaliar a evolução dele, dada a ausência de quaisquer sinais neurológicos e a curta duração do sintoma. Você deu-lhe um atestado para uma semana afastado do trabalho, com repouso relativo, evitando esforços e pesos, além de analgesia com paracetamol 500 mg via oral 6/6 h, fosfato de codeína 30 mg via oral 8/8 h e indometacina 50 mg via oral 8/8 h. 
Mas ele não melhorou.  Pelo contrário, a dor está piorando e ele tem sentido mal-estar geral, tendo passado a maior parte da semana na cama. Sua esposa está muito preocupada.
INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1)   Que exame (apenas um) você gostaria de ter pedido na visita anterior? Diga ao professor da estação.
(2)  Veja o exame que ele lhe passará e responda aqui qual é a sua impressão diagnóstica com base no resultado.
Radiografia de coluna lombo-sacra em perfil

 Tomografia computadorizada de coluna lombo-sacra

 Ressonância magnética da coluna lombo-sacra

Hemograma 

Lista de checagem
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ESTAÇÃO 3

ENUNCIADO: Seu Roberto, 63 anos, estava se recuperando de uma prostatectomia devido a hiperplasia prostática, quando começou a sentir as pernas pesadas e cansadas. Achou que era normal devido à cirurgia, e também pelo fato de ser tabagista de longa data. Porém, subitamente começou a se sentir bastante cansado, com falta de ar intensa e dor no peito. Sua esposa o levou imediatamente à UPA. Ao chegar à UPA, o paciente foi logo encaminhado à sala de atendimento emergencial, onde você o avaliou, verificando que ele estava bastante dispneico, com tiragem intercostal, cianose perioral e sudorese profusa. PA: 160/110mmHg, FC: 105bpm, FR: 27 irpm, peso: 85 Kg. Ausculta cardíaca: taquicardia; ausculta pulmonar: diminuição bilateral do MV. Também havia edema nos membros inferiores, principalmente à direita.
INSTRUÇÕES: Responda, ANOTANDO ABAIXO
  (1) Quais as suas três principais hipóteses diagnósticas; (2) Que exames complementares você solicitaria; (3) Faça a prescrição inicial deste paciente (contendo o medicamento mais indicado no tratamento da sua hipótese diagnóstica principal).
Lista de checagem
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ESTAÇÃO 4

ENUNCIADO: Na sua frente, está o senhor LFBB, 34 anos. Engenheiro civil. Ele foi avaliado previamente por adenomegalias generalizadas (cervicais, axilares, inguinais), sendo a maior em região cervical D medindo ± 3 cm. Não fazia uso de medicações, nunca recebeu hemotransfusões. O médico que fez a primeira consulta solicitou biópsia linfonodal com imuno-histoquímica, que revelou linfoma Não-Hodgkin folicular (um tipo indolente de células B). Também trouxe hemograma, DHL, ureia, creatinina, TGO, TGP: normais. Sorologias para hepatites B e C negativas e anti-HIV também negativo. Como o médico que fez a primeira consulta entrou de férias, você está fazendo a consulta de retorno, conforme escala do serviço de Hematologia do HULW.
INSTRUÇÕES: NÃO É NECESSÁRIO ANOTAR AQUI.
(1) Informe o diagnóstico ao paciente.
(2) Responda, de forma clara, as perguntas e dúvidas do mesmo.


Comissão do OSCE/CM/CCM/UFPB
Profa. Leina Yukari Etto
Prof. José Luis Simões Maroja
Prof. Luis Fábio Barbosa Botelho
Profa. Rilva Lopes de Sousa Muñoz (Coord.)

Monitores do Osce (Alunos do Programa Jovens Talentos para a Ciência/Capes/UFPB)
Milton Linhares Júnior – Simulação de paciente
Miéllio Melo Galdino – Simulação de paciente
Mirella Bezerra de Lima Silva – Simulação de paciente
Melissa Toscano Montenegro de Morais e Raiara Carvalho Vieira – Ordenação dos alunos para a avaliação 

11 de novembro de 2015

Osce de Clínica Médica: Edição de Novembro de 2015

Próxima prova tipo Osce para o internato em Clínica Médica da UFPB.
http://www.ccm.ufpb.br/

3 de novembro de 2015

História da Psiquiatria: Seminário do Período 2015.1

Relatório do Seminário - Por Milton da Silva Linhares Júnior

Seminário “História da Psiquiatria” em 26/10/15, no módulo de História da Medicina e da Bioética / Universidade Federal da Paraíba. 
Os apresentadores foram estudantes do 3o. período do curso de Medicina da UFPB: Alinne Mirlânia, Jaciara, Jennyfer, Liliane e Sayron.

Jaciara iniciou a apresentação com a introdução do tema através da história da psiquiatria na Antiguidade, mencionando que referências às doenças mentais remontam aos egípcios, mesopotâmicos, gregos, romanos e hindus, e que tais afecções eram consideradas como castigos divinos ou possessões demoníacas. Ela citou alguns tratamentos que eram dados aos doentes mentais, como rituais de magia, exorcismos, castigos físicos, destacando, ainda, por outro lado, que os gregos utilizavam também músicas, atividades recreativas e passeios para o tratamento desses enfermos. Mencionou que há também registros sobre doenças mentais na Cultura Judia, na qual estes transtornos eram tidos como castigos impostos por Javé (um dos nomes usados no Antigo Testamento para Deus). Jaciara fez menção também ao rei da Babilônia Nabucodonosor II, que enlouqueceu e foi considerado possuído por espíritos, assim como lembrou ainda que o rei dos judeus, Saul, sofreu de depressão grave e apresentava ataques de fúria, sendo tratado por David, seu sucessor, através da música. 
Jaciara salientou ainda que na Índia, o Mahabarata (um dos maiores épicos clássicos da Índia, o principal texto religioso da religião hindu) descreve vários personagens loucos, e este livro tem destaques para a lipemania (tristeza, desgosto), a mania ambiciosa, a mania homicida, a epilepsia, a histeria e a neurose obsessiva. Continuou afirmando que no Código de Hammurabi havia crenças de que eram os demônios que causavam as doenças. Também no antigo Egito consideravam-se os alienados como seres possuídos por "espíritos do mal". 
Jaciara destacou ainda o problema da histeria, termo muito utilizado pelos gregos - sendo encontrado também no papiro de Kahun, dos egípcios -, e que foi uma terminologia criada por Hipócrates, e derivada da palavra "útero", pois acreditava-se que a histeria era uma doença que acontecia apenas em mulheres. Este transtorno era atribuído à movimentação do útero pelo corpo da mulher. A apresentadora mencionou também que Hipócrates fez as principais descrições da histeria e, segundo ele, esta era uma doença típica das mulheres, nas quais o útero ficava desidratado e leve, devido à falta de relações sexuais, e acabava movimentando-se dentro do corpo, ocasionando a doença. Além disso, falou da ligação, feita por Hipócrates, de quadros mentais com o desequilíbrio dos “humores” (fleugma, sangue, bile amarela e bile negra). 
Jaciara lembrou também que Hipócrates reconheceu que a epilepsia era uma doença natural, originada no cérebro, e não uma "doença sagrada", como era vista anteriormente. Assim, nCorpus Hipocraticus (conjunto de obras atribuídas a Hipócrates), passou-se a considerar a epilepsia como uma doença cerebral, sem relação com crenças mágicas e religiosas. 
Os autores romanos que viveram depois de Hipócrates, como Galeno e Celso, consideravam que havia três tipos de doença mental: a frenite, a mania e a melancolia. Jaciara citou o médico grego Asclepíades de Bitínia, que baseou sua prática médica na teoria do atomismo de Demócrito, segundo a qual as doenças ocorriam pela movimentação irregular de corpúsculos no organismo e também acreditava que as doenças mentais eram uma consequência de alterações das paixões. 
Para concluir sua parte na apresentação do seminário, citaram-se outras grandes personalidades da Antiguidade que tiveram influência sobre o que se pensava a respeito das doenças mentais, como Galeno (refutou a ideia de que o útero se deslocaria pelo corpo, e foi o primeiro a considerar que a histeria também poderia ocorrer em homens), Aristóteles (precursor da psicologia, descrições do conteúdo da consciência, teoria da melancolia) e Sócrates (considerou os estados corporais como reflexos psicológicos).
Alinne continuou a apresentação abordando a história da psiquiatria na Idade Média e Idade Moderna. Ela salientou que a maioria das doenças nos tempos medievais tinha explicações sobrenaturais, tendo, portanto, ocorrido um retorno ao pensamento fantástico, que predominou na Antiguidade, antes de Hipócrates. Alinne mostrou uma tabela que criou para resumir os conceitos de loucura como manifestação divina, referente ao início da Idade Média, como a crença da possessão demoníaca, e ao fim do medievo, com a atribuição de bruxaria às mulheres e aos portadores de doenças mentais. Destacou que o conceito de bruxaria acarretou condenação à morte na fogueira no tribunal da Inquisição da Igreja Católica. Não apenas os supostos praticantes de bruxarias, mas também os indivíduos considerados hereges pela Igreja, foram condenados e castigados severamente neste tribunal. 
Alinne mencionou as personalidades de destaque da época, como Santo Agostinho (religioso que fez observações importantes na área da memória e da consciência, mas não pôde ultrapassar os “muros” da igreja), Alexander de Tralles (descreveu a epilepsia e diversos transtornos mentais), Constantino Africano (descreveu sintomas depressivos) e Avicena (descreveu melancolia, mania e epilepsia).
Alinne destacou que uma relevante mudança no desenvolvimento da psiquiatria na Idade Média foi o surgimento dos primeiros estabelecimentos precursores dos hospitais psiquiátricos. Em 1409, surgiu o primeiro hospício, em Valência, na Espanha. Explanou também que na Idade Moderna, houve uma expansão dos hospitais psiquiátricos, mas estes possuíam condições consideradas inaceitáveis para seres humanos, exemplificando tais condições através de uma citação direta cunhada por Etienne Esquirol (1772-1840) no século XIX: 
Eles são mais mal tratados que os criminosos; eu os vi nus, ou vestidos de trapos, estirados no chão, defendidos da umidade do pavimento apenas por um pouco de palha. Eu os vi privados de ar para respirar, de água para matar a sede, e das coisas indispensáveis à vida. Eu os vi entregues às mãos de verdadeiros carcereiros, abandonados à vigilância brutal destes. Eu os vi em ambientes estreitos, sujos, com falta de ar, de luz, acorrentados em lugares nos quais se hesitaria até em guardar bestas ferozes...”. 
Alinne terminou sua apresentação falando sobre uma figura central da Psiquiatria da Idade Moderna, Philipe Pinel, um médico francês influenciado pelas ideias do Iluminismo e pelos ideais revolucionários franceses de liberdade. Mencionou também que Pinel preconizou o tratamento moral para os doentes mentais e os desacorrentou a partir de sua nova prática médica, exercida enquanto chefiou os hospitais em Bicêtre e La Salpêtrière na França. Alinne salientou que Pinel revolucionou a história da psiquiatria com tratamentos mais racionais e humanizados. Salientou ainda que Pinnel foi autor do livro "Tratado Médico-Filosófico sobre Alienação ou a Mania", e recebeu o título de "pai da psiquiatria moderna".      
Jennyfer passou, então, a abordar a história da psiquiatria nos séculos XIX e XX. Mencionou que o século XIX "foi um grande edifício de asilos", e que o termo asilo era utilizado para estabelecimentos privados que tentavam viabilizar o cuidado de pessoas que eram consideradas um fardo para sociedade, como idosos, pessoas com deficiências físicas e doenças mentais. O termo manicômio surgiu a partir do século XIX, para designar o hospital psiquiátrico. Ela destacou também que houve uma disseminação da prática de retirar os doentes mentais do convívio social para colocá-los nos manicômios, que proliferaram para abrigar os doentes e também outras pessoas marginalizadas socialmente. 
Jennyfer continuou sua explanação mencionando personalidades importantes na história da psiquiatria do século XVIII e XIX e algumas de suas contribuições: Theodor Meynert (psiquiatra austríaco que fazia secções cerebrais, e que não acreditava em aspectos sociais das doenças mentais e nem na sua cura); Jean Martin Charcot (abordagem psicossocial da doença mental e  estudos sobre histeria): Pierre Janet (parceiro de Charcot nas hipnoses para curar os pacientes com histeria e criador do termo "neurastenia"); Benédict-Augustin Morel (criador da teoria da degeneração progressiva ou degenerescência); Richard Von Krafft (atribuiu o excesso de sexualidade como fator predisponente à doença mental); Adolf Meyer (abandonou o estudo biológico da psiquiatria em favor de estudos biopsicossociais dos pacientes); e Eugen Bleuler (cunhou o termo esquizofrenia). Em 1924, Bleuler (1857-1939) estudou sobre a chamada "demência precoce", para a qual propôs o nome esquizofrenia, e descreveu os sintomas desta doença. 
Após menção a grandes personalidades da psiquiatria nos séculos mais recentes, Jennyfer mencionou brevemente Sigmund Freud e a criação da Psicanálise. Este tópico foi desenvolvido pela moderadora do seminário, uma vez que a aluna responsável por este tópico encontrava-se de licença.
Posteriormente, Jennyfer passou a discorrer sobre a história da terapia medicamentosa em psiquiatria. Ela destacou que a psicofarmacologia moderna inicia-se no final da década de 1940, quando foram introduzidos os primeiros fármacos com a finalidade específica de tratar os transtornos psiquiátricos. Esta história começa com a clorpromazina, que proporcionou uma revolução no tratamento da esquizofrenia, permitindo que muitos pacientes deixassem os asilos onde tinham sido previamente confinado, e passassem a viver na comunidade. Jennyfer mencionou também Julius Jauregg, Paul Ehrlich e Alexander Fleming, como precursores de tratamentos medicamentosos, que embora estes não fossem psicofármacos, contribuíram significativamente na história dos medicamentos relacionados a doenças com manifestações neurológicas e psiquiátricas. No tocante a outras substâncias psicoativas, a apresentadora citou ainda a utilização de drogas como apomorfina, barbitúricos e benzodiazepínicos. Relatou o emprego de determinadas medidas terapêuticas controversas como a eletroconvulsoterapia e o choque insulínico, assim como a lobotomia, destacando, em relação a esta última, o papel do precursor, o português Egas Moniz, e do americano Walter Freeman, que difundiu e popularizou o emprego da técnica através do uso de um furador de gelo (lobotomia trans-orbital), realizada de forma indiscriminada nos anos 1930 nos Estados Unidos. Também mencionou a descoberta do papel dos neurotransmissores e os novos exames do cérebro por imagem na segunda metade do século XX
Sayron apresentou a história das reformas psiquiátricas. Iniciou referindo que os primeiros questionamentos sobre o papel da psiquiatria começaram a surgir no período pós-segunda guerra mundial, influenciados pelas experiências realizadas pelos nazistas, o ataque pela bomba atômica e outras barbáries que aconteceram até a segunda metade do século XX. Mencionou ainda que foi nesse período que surgiram o aconselhamento psicológico, os estudos fenomenológicos e o existencialismo como forma de acolher o ser humano que estava abalado, enquanto que paralelamente ocorreram as primeiras tentativas de se modificar o hospital psiquiátrico, buscando-se humanizá-lo, pois sabia-se que os maus tratos aumentavam os índices de cronificação das doenças e estavam em oposição à proposta de uma instituição de saúde e cura. Nesse sentido, Sayron listou alguns movimentos que aconteceram ao redor do planeta, entre eles: o movimento das comunidades terapêuticas na Inglaterra; a psicoterapia institucional e a psiquiatria de setor, que buscavam a recuperação da função terapêutica do hospital psiquiátrico na França; a psiquiatria comunitária nos Estados Unidos, com foco na prevenção e promoção de saúde mental; na Inglaterra também surgiu o movimento da Antipsiquiatria, que propunha a loucura como um fato social sem necessidade de tratamento; a psiquiatria democrática italiana, evento de maior ruptura, e que determinou o reconhecimento da existência da doença mental, porém com a proposta de um novo olhar sobre ela, que era mais complexo, não enxergando somente o doente mental como ser isolado. 
Sayron mencionou também as reformas que ocorreram no Brasil devido às ideias que começaram a aparecer na década de 1980, no período de redemocratização, enquanto o Brasil passava por uma série de mudanças. O apresentador afirmou ainda que em 1982 houve a criação do programa de reorientação da assistência psiquiátrica pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, e em 1987, houve a I Conferência Nacional de Saúde Mental, o II Encontro Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental, o fim da trajetória sanitarista e movimentos a favor do fim dos manicômios. Mencionou que houve a criação do dia da luta antimanicomial, que passou a ser o dia 18 de maio, além da criação da lei da saúde mental, em 2001, e de uma série de portarias, entre elas a 189 e 224, que regularizaram os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e os Núcleos de Atenção psicossocial (Naps). 
Liliane prosseguiu a apresentação do seminário, abordando a história da psiquiatria brasileira, começando sua fala com menção aos primórdios da psiquiatria no Brasil. Mencionou a criação do hospício Pedro II em 1852 como um marco importante. Referiu também que os doentes mentais eram cuidados por curandeiros e religiosos até o século XVIII, com exceção dos mais ricos, que eram trancafiados dentro de suas casas ou enviados para a Europa para se tratarem. Segundo ela, antes da criação do Hospital Pedro II, havia as Santas Casas de Misericórdia, desprovidas de atenção médica e de higiene. Sobre o Hospital Pedro II, Liliane afirmou que foi criado de acordo com o modelo asilar francês e que tinha o intuito de abrigar os doentes mentais e oferecer tratamento, mas possuindo também o caráter de consolidar uma política civilizatória e ordenada no Brasil para se equiparar às potências ocidentais. Mencionou que a administração desse hospício foi feita pela Santa Casa de Misericórdia até 1890 com atuação muito forte de religiosos, o que mostra que a psiquiatria no Brasil enquanto política de assistência precedeu a psiquiatria como saber médico especializado. Liliane mencionou a fase de "medicalização" da loucura, a incorporação de colônias agrícolas na rede de assistência, a criação da lei de assistência aos alienados em 1903, a instituição da psiquiatria como posição central dentro dos hospícios, e a criação de vários hospícios públicos em outros estados, citando o exemplo da Paraíba, na qual houve criação do Asilo Santa Ana, em João Pessoa. Mencionou que os pacientes psiquiátricos passaram a ter o trabalho como tratamento terapêutico para estimular o cérebro e reduzir as manifestações delirantes. 
Sobre o início do processo de institucionalização da psiquiatria, a aluna disse que em 1881 houve a reforma no ensino, que levou à criação da cátedra de clínica psiquiátrica e de moléstias mentais, e da qual Teixeira Brandão foi o primeiro psiquiatra responsável. Lembrou também que em 1907 houve a criação da Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal, propiciando um campo para debates de casos clínicos, diagnósticos e reunião de médicos interessados na psiquiatria. 
Liliane falou também sobre o famoso psiquiatra baiano Juliano Moreira, que foi diretor do Hospício Nacional de Alienados entre 1903 e 1930, tendo sido também fundador, juntamente com Afrânio Peixoto, da Revista Arquivos Brasileiros de Psiquiatria, Neurologia e Ciências Afins em 1905, e foi quem introduziu o modelo teórico e assistencial baseado na psiquiatria alemã.  
Entre 1920 e 1930, Liliane citou os seguintes acontecimentos marcantes na psiquiatria: disseminação do ideário psiquiátrico preventivista e a criação da Liga Brasileira de Higiene Mental, criada por Gustavo Riedel, e baseada em conceitos de eugenia, hereditariedade e de críticas às condições sociais. Nas décadas de 1940 e 1950, disse que houve uma expansão dos hospitais públicos, principalmente a criação de hospitais estaduais, assim como a introdução de instrumentos de tratamento como o choque cardiazólico, a psicocirurgia, a insulinoterapia e a eletroconvulsoterapia, utilizando a imagem das esculturas de Lúcio Noeman para ilustrar esta fase da história da psiquiatria no Brasil. 
A respeito das décadas de 1960 e 1970, Liliane destacou as raízes da reforma psiquiátrica brasileira, com a criação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) em 1966, o que acarretou o crescimento dos hospitais particulares em detrimento dos públicos, assim como a realização do I Congresso Brasileiro de Psiquiatria, e que houve forte influência da psiquiatria preventivista. Encerrou a apresentação, afirmando que, nesse período, houve muitas críticas ao governo federal por causa da política privatista, fraudes e muitas denúncias contra maus tratos, abandonos e violências nos hospitais psiquiátricos, mas que a partir da década de 1980 tomou forma a Reforma Psiquiátrica.

Após a apresentação, houve a demonstração de obras de arte escolhidas pelos alunos e relacionadas com a temática da história da psiquiatria.
Jaciara escolheu a obra “Os jardins do Asilo de Arles”, de Vincent Van Gogh - 1888.

Aline mostrou a obra “Philippe Pinel à la Salpetriere”, de Tony Robert-Fleury, 1876:

 Jennyfer trouxe a obra “The Rake’s progress”, de William Hogarth, 1735:

Sayron destacou o trabalho “O ateliê segundo Emygdio”, do Ateliê de pintura da psiquiatra brasileira Nise da Silveira:

Por fim, Liliane apresentou um trecho da obra “O Cemitério dos Vivos”, do escritor Lima Barreto:

As referências apresentadas ao final do seminário foram as seguintes:





18 de outubro de 2015

Ao Bom Médico...

"O bom médico é aquele que refaz, mesmo sem o saber, a trajetória da medicina através dos tempos. 
Como Hipócrates (460-377 a.C.), sabe que a vida é curta mas a arte é longa; sabe que a ocasião é fugidia, a experiência, enganadora, o julgamento, difícil." [...] 
"O bom médico sabe, como o francês Ambroise Parré (1510-1590) que curar é mais do que intervir; curar como diz a origem latina da palavra, significa cuidar." [...]
"O bom médico sabe, como o inglês Thomas Sydenham (1624-1689), que a enfermidade tem certa lógica, segue aquilo que se pode chamar de uma história natural, que aos poucos, e seguindo um trajeto mais ou menos previsível, transporta a pessoa para outra realidade, a realidade da doença" [...]
"O bom médico sabe, como o alemão Rudolf Virchow (1821-1902), que a doença deve ser procurada não apenas no que é visível, mas também ali onde os olhos não enxergam". [...] 
"O bom médico, como o austríaco Sigmund Freud (1856-1939), sabe que é preciso ter coragem de defender as próprias convicções, como aquelas sobre a existência do inconsciente, mesmo quando elas se chocam com os preconceitos e as idéias preestabelecidas.
O bom médico sabe, como o brasileiro Oswaldo Cruz (1872-1917), que é preciso enfrentar a doença na população, mesmo trabalhando na complicada fronteira entre medicina e política. [...]

"O bom médico talvez não seja tão famoso como Hipócrates ou Parré, quanto Sydenham ou Virchow, quanto Freud ou Oswaldo Cruz; mas para seu paciente, para a comunidade da qual cuida, ele é a própria medicina, ciência e arte."

[In: SCLIAR, M. O olhar médico: Crônicas de Medicina e Saúde. São Paulo: Agora, 2005] 

1 de outubro de 2015

Greve Docente na UFPB: Movimento sem Avanços

Por Climério Avelino de Figueredo
Professor da Universidade Federal da Paraíba

PARA SALVAR SUA PELE, O MOVIMENTO DOCENTE ESTÁ ESCALPELANDO A PELE DOS OUTROS (Das universidades, da sociedade e dos alunos)

Desde o início da greve, sensata análise da conjuntura e da correlação de forças apontava para a sua inoportunidade. Até os secos gramados da Esplanada dos Ministérios sabiam que a greve não levaria a nada. Ir em direção contrária foi um grande equívoco.
O desenrolar da greve mostrou isso. A adesão a ela foi pouca (apesar da “manipulação” da Andes [Associação Nacional de Docentes de Ensino Superior] listando seções sindicais como se fossem universidades em greve (Exemplo: Campina Grande, Patos e Cajazeiras). Das grandes universidades [do país], poucas entraram em greve. E mesmo nas que entraram [em greve], a adesão foi escassa, como prova a baixa frequência às assembleias e às outras atividades de greve. Pior que errar é não reconhecer o erro.
Passados quatro meses, nada foi conseguido, a não ser baixar para dois anos o período do acordo. Mas para isto, nem de greve precisaria... É prática comum aos governos darem propostas com pontos negociáveis. Das poucas universidades que entraram em greve, algumas já saíram. E por que a Andes, suas secções sindicais, como a ADUFPB [Associação dos Docentes da Universidade Federal da Paraíba - Seção Sindical da Andes], e o comando nacional de greve, insistem em manter a greve?
Isso ocorre porque há uma reunião com o MEC [ Ministério da Educação], agendada para o dia 05/10/15. Ora, reuniões já houve muitas, e em nada se avançou. Compensa manter a greve com todos os prejuízos que ela acarreta aos alunos, à sociedade e às universidades, esperando-se que desta reunião saia algo substancial? Lógico que não. 
O que a Andes espera é que o MEC atenda a alguma reivindicação secundária para, com isto, burilar o discurso do retorno, afirmando que houve ganhos. Tal qual o pedinte - que pouco ou nada arrecada durante o dia e ilude-se ao ficar na feira até o anoitecer, esperando que uma alma bondosa dê-lhe uma boa esmola e que, depois, levanta-se, sacode os panos e vai embora cabisbaixo com o fracasso -, a  Andes e o comando nacional de greve terão que acabar com a greve de forma melancólica. Alunos, sociedade e universidades que fiquem com o prejuízo. Para eles [Andes e comando nacional de greve], isso não importa. O que importa é fazer a luta política por motivos ideológicos.

23 de setembro de 2015

Espelho de Demanda Gratificante

Foto: Cópia do Espelho de Demanda da Ouvidoria Setorial de Saúde, da Secretaria de Saúde do município de João Pessoa (Fonte: Postagem de Adalberto Vieira D. Filho na rede social "Facebook" - reproduzido com permissão)

Texto do nosso ex-aluno, e agora médico dedicado, que trabalha atualmente na rede pública de saúde da cidade de João Pessoa, Paraíba, Dr. Adalberto Vieira Dias Filho, ao receber reconhecimento de familiar de uma paciente socorrida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) municipal. No texto, está retratada a emoção de um jovem médico vocacionado diante do resultado diário de seu trabalho, mas de rara ocorrência expressa no tumultuado cotidiano de um médico socorrista. Raro também em uma época em que os médicos são depreciados e vivem verdadeiros dramas nas portas do deficitário sistema de saúde pública no Brasil. Um confronto do sonho de infância, das palavras escritas no momento da formatura e do seu virtuoso orgulho pela prática da medicina real, parecendo confirmar suas aspirações de estudante.
“Ser médico quando crescer!”, era este o desejo que ecoava dentro de mim ainda quando menino e não tinha ideia de tudo que seria preciso para conseguir sê-lo. Foi uma jornada longa, mas com um destino certo, com vitórias e derrotas que me ensinaram a ser melhor por meio da superação; durante a qual conheci pessoas maravilhosas - umas ficaram e outras não, mas todas somaram de alguma forma para que eu seja o que sou; durante esta jornada, sofri com algumas perdas e mudanças que aconteceram, mas me adaptei, levantei e decidi que sempre vale a pena continuar, que vale a pena viver.
Foram seis anos durante os quais aprendi, em teoria e prática, alguns dos muitos segredos do corpo humano; aprendi, por meio de sinais e sintomas, a identificar o que pode estar errado e o que pode ser feito para aliviar ou curar. Aos pacientes que me confiaram seus corpos, suas histórias, e pela paciência; aos amigos e familiares que compartilharam as alegrias e sofrimentos deste tempo que investi para me tornar médico; aos meus pais, sem os quais eu nunca teria chegado até aqui; a Deus, principalmente, por permitir que eu seja instrumento para o alívio da dor do outro, deixo meus mais sinceros agradecimentos. A Ele, peço, ainda, que me dê a capacidade de ver além do físico sempre, de conseguir me colocar no lugar do meu paciente, entendendo sua dor e que eu nunca a subestime." Essa foi a mensagem de introdução do meu convite. Quando recebi a notícia de que a família de um paciente voltou à UPA apenas para agradecer, lembrei de tudo que sentia quando me formei e tudo fez sentido mais uma vez! À família, muito obrigado!

UPA: Unidade de Pronto Atendimento

25 de julho de 2015

Osce do Internato em Clínica Médica no HULW - VI Edição

A sexta edição da Avaliação Objetiva Estruturada por Estações (Osce) de Medicina Interna foi realizada hoje para 42 alunos do Internato do curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW). 
A avaliação começou às 8h00 e terminou às 12h30. Cronometraram-se seis minutos para cada aluno em cada uma das quatro estações.
Faltaram quatro estudantes e um compareceu mas se retirou antes de chegar sua vez de realizar a prova. Os alunos que faltaram à prova hoje poderão realizar sua reposição no dia 28/11/15, desde que dirijam solicitação por escrito à Comissão do Osce-Clínica Médica através do Departamento de Medicina Interna, ou pelo e-mail rilva@ccm.ufpb.br até 48 horas antes do dia da prova.
As estações com os questionamentos propostos aos alunos e respectivos checklists estão apresentados a seguir:

ESTAÇÃO 1
ENUNCIADO: Rilvânia Maria, 21 anos, possui asma brônquica e você prescreveu para ela um beta2-agonista de curta duração através de inalador dosimetrado para que o utilize rotineiramente na reversão do broncoespasmo. Como ela nunca usou inalador, trouxe-o para que você a instrua sobre como e quando utilizá-lo. Ela encontra-se bastante ansiosa por começar a usar esta medicação.
INSTRUÇÕES PARA A RESPOSTA:
Demonstre à paciente como preparar e utilizar o inalador e explique-lhe quando deve fazê-lo
Alunos do internato passando pela Estação 1 

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ESTAÇÃO 2
ENUNCIADO: Um homem de 24 anos chega ao seu plantão queixando-se de forte dor de cabeça há 24 horas e que tem se tornado rapidamente mais intensa. Ele descreve a dor de cabeça como generalizada, vomitou duas vezes e parece sonolento e confuso, com fotofobia. Não há história patológica pessoal prévia significativa. Ele fuma 10 cigarros por dia e bebe 24 unidades de álcool por semana. Ele não está tomando qualquer medicação atualmente. É solteiro e estudante de graduação em psicologia na UFPB. Ao exame, em estado geral comprometido, torporoso, normocorado, com temperatura de 39,2°C, perfusão periférica conservada. Pulso: 120 bpm, PA: 100/74 mmHg. Pulmões, coração e abdome sem anormalidades ao exame. Sem sinais neurológicos focais. Fundo de olho normal.

INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1) Realize no paciente uma manobra neurossemiológica para esclarecer clinicamente sua hipótese diagnóstica.
(2) Escreva aqui sua hipótese diagnóstica principal de acordo com o resultado obtido à realização do seu exame.
(3) Que exame complementar especificamente voltado para sua HD você indicaria primeiro?

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ESTAÇÃO 3
ENUNCIADO: Paciente do sexo feminino, 22 anos, com relato de dor intensa e edema em todo membro inferior direito (MID) há 3 dias. Refere facilidade para queda de cabelo e aftas na boca. Nega episódios prévios semelhantes ao atual, uso de medicações contínuas ou casos na família. Já teve duas gestações prévias, sendo uma com parto pré-termo por descolamento de placenta com RN vivo e uma com morte fetal não esclarecida no terceiro trimestre. Exame físico: Corada, hidratada, anictérica, acianótica, AR e ACV sem alterações. Abdome: Sem alterações. Edema +++/4+ em todo MID, duro e com panturillha empastada ipsilateralmente. Membro inferior esquerdo sem alterações.
INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1) Cite aqui, após examinar a paciente, as alterações à ectoscopia da pele que terão valor para diagnóstico clínico da possível doença de base
(2) Cite as hipóteses diagnósticas mais pertinentes ao caso                      
(3) Cite um exame complementar  para ajudar a confirmar cada hipótese que você citou no item 2    
 Paciente simulada por estudante de graduação em Medicina integrante do GESME

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ESTAÇÃO 4
ENUNCIADO: Paciente do sexo feminino, 63 anos, com quadro de dor abdominal em cólica, distensão abdominal e vômitos há dois dias. Após os primeiros episódios de dor, evacuou uma vez e, depois disso, passou a não mais eliminar gases nem fezes. Ela relata ter sido submetida a histerectomia abdominal há 22 anos devido à miomatose uterina. Ao exame: mucosas secas, pulso: 122 bpm, murmúrio vesicular diminuído nas bases pulmonares. Ao exame do abdome, distensão significativa, ruídos hidroaéreos presentes, com pouca dor à palpação. Ao toque retal,  ampola vazia e ausência de lesões no reto.
Veja imagem dos raios-X do abdome no negatoscópio:
Raios-X do abdome referente à Estação 4

INSTRUÇÕES PARA AS RESPOSTAS:
(1)Descreva as alterações evidenciáveis à radiografia do abdome           
(2) Cite as hipóteses diagnósticas mais pertinentes
(3) Cite um exame complementar  para ajudar a confirmar cada hipótese citada no item 2

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Comissão do OSCE/CM/CCM/UFPB
Profa. Ângela Siqueira Figueiredo
Profa. Leina Yukari Etto
Prof. José Luis Simões Maroja
Prof. Luis Fábio Barbosa Botelho
Profa. Mônica Souza de Miranda Henriques
Profa. Rilva Lopes de Sousa Muñoz (Coord.)

Monitores do Osce (Alunos do Programa Jovens talentos para a Ciência/Capes/UFPB e integrantes do GESME)
Melissa Toscano Montenegro de Morais – Simulação de paciente
Miéllio Melo Galdino – Simulação de paciente
Mirella Bezerra de Lima Silva – Simulação de paciente
Raiara Carvalho Vieira – Ordenação dos alunos para a avaliação

11 de julho de 2015

Imagem Semiológica: Dermatite de Contato por Coral

Paciente do sexo masculino, 31 anos, com história de uma semana de erupção pruriginosa no pé esquerdo, que se desenvolveu depois que ele roçou em um coral durante um mergulho no mar do Caribe. Após contato com o coral, apareceu uma sensação de queimação no pé, à qual se seguiu, uma hora mais tarde, o desenvolvimento de uma erupção intensamente pruriginosa. O exame físico revelou uma placa eritematosa, cerebriforme na face lateral do pé esquerdo. Com base no exame clínico, foi feito o diagnóstico de dermatite de contato por coral. Esta é uma forma de dermatite de contato causada por numerosas espécies de coral que produzem nematocistos, que são organelas que produzem toxinas dermatológicas. Reações agudas podem ocorrer sob a forma de dermatite de contato irritativa e como placa de urticária ou lesão vésiculo-bolhosa, imediatamente ou algumas horas depois da exposição. Reações tardias parecem ser formas de dermatite de contacto alérgico, mediadas por hipersensibilidade tipo I e tipo IV, apresentando-se como pápulas que surgem dias ou semanas após a exposição.

Referência: Salik J, Tang R. Coral Dermatitis. N Engl J Med 2015; 373:e2.

4 de junho de 2015

Defesas de Trabalhos de Conclusão de Curso em Medicina pela UFPB

Anunciamos as defesas públicas dos Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) de Liana Luz Lima, Taynah Pontes Machado, Aline Dantas de Sá e Lunna Maria Casimiro Sarmento, integrantes do Grupo de Estudos em Semiologia Médica.
Centro de Ciências Médicas/UFPB
08/06/15 a 10/06/15

11 de maio de 2015

História da Medicina na Arte: Parte II

Trabalhos artísticos escolhidos pelos alunos do MHB3 para ilustrar o III Seminário sobre História da Medicina no semestre 2015.1 
(Departamento de Medicina Interna, Centro de Ciências Médicas, UFPB)


ÉRICA
Pintura de Pablo Picasso em 1897: "Ciência e Caridade". Uma mãe doente em seu leito, entre um médico sentado olhando seu relógio portátil enquanto toma o pulso dela, e uma freira que segura o filho pequeno da mulher e estende-lhe uma bebida (talvez chá). Os cuidados paliativos contemporâneos e a medicina paliativa surgem da contemplação da pintura: o controle da dor, apoio social e espiritual e o cuidado são elementos claramente presentes nesta pintura.


OTÁVIO
"O Triunfo da Morte", pintura de Pieter Bruegel, o Velho, em 1562: Uma paisagem desolada de morte e destruição confronta o espectador. Faz pensar sobre a sempre presente ameaça de morte na Europa medieval, trazida pelas epidemias de Peste Negra. Bruegel era um artista holandês que teria testemunhado duas das graves recorrências da Peste Negra no século XVI.


MARITA
Xilogravura de Alessandro Beneditti, médico italiano, mostrando a extração de Asclepius, o deus grego da medicina, do abdome da mãe Coronis, por seu pai Apollo. Gravura publicada na edição de 1549 do livro De Re Medica, de Aulus Cornelius Celsus.


FÁTIMA
“Máscaras”, trabalho do artista americano William Utermohlen que, em 1995, aos 61 anos, recebeu o diagnóstico de doença de Alzheimer. O artista passou, então, a pintar uma série de autorretratos. A partir do momento de seu diagnóstico até o ano 2000, quando ele foi internado em um lar de idosos, criou retratos de sua penosa decadência mental. Com seus quadros, ele demonstra os efeitos devastadores da doença. Suas obras tornaram-se mais planas, mais abstratas, com perda de detalhes e de sentido espacial. Em 2000, a memória e as habilidades técnicas do Utermohlen tinham se deteriorado ao ponto em que seus autorretratos passaram a ser simples crânios nos quais ele rabiscava as mais básicas  características faciais.


RODRIGO
David Kirby no seu leito de morte. Foto publicada na Revista Life em 1990. Uma das fotografias mais penosas e controversas publicadas em um momento em que emergia a pandemia global de Aids. David Kirby era um ativista dos direitos homossexuais que contraiu HIV. Ele se reconciliou com sua família, de quem se havia distanciado, a fim de morrer cercado por ela. Naquele momento, 25 anos atrás, ainda não havia o tratamento com os antirretrovirais e a Aids costumava ser uma sentença de morte. Foto originalmente em preto e branco, tirada por Therese Frare, na época estudante de pós-graduação em Jornalismo.


PROFA. RILVA

"A verdade é que a medicina, declaradamente baseada na observação, é tão sensível às influências externas, políticas, religiosas, filosóficas, imaginativas, tal como o é o barômetro para as mudanças de densidade atmosférica"
 (Oliver Wendell Holmes)